quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Trump confirma convite a Lula para compor conselho sobre Gaza

foto:IA Chat GPT


 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o chamado Conselho da Paz, colegiado de líderes internacionais que será presidido pelo próprio chefe de Estado norte-americano. O grupo será criado para supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), anunciado pela Casa Branca na semana passada, responsável pela reconstrução da Faixa de Gaza — território palestino praticamente destruído pelas forças militares de Israel ao longo dos últimos anos, com mais de 68 mil mortos.

“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho da Paz de Gaza”, afirmou Trump ao ser questionado por uma jornalista durante coletiva de imprensa em que fez um balanço do primeiro ano de seu segundo mandato, que se estende até janeiro de 2029.

Plano para a Palestina

O conselho idealizado por Trump integra a segunda fase do plano de paz para Gaza, assinado em outubro do ano passado sob mediação dos Estados Unidos. O acordo viabilizou um cessar-fogo considerado parcial, já que, segundo relatos recentes de agências das Nações Unidas que atuam na região, ataques israelenses continuam ocorrendo no território palestino.

Até o momento, o Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente sobre a aceitação do convite. Fontes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmaram que o convite foi recebido no último fim de semana por meio da Embaixada do Brasil em Washington.

Outros líderes internacionais também foram convidados, como o presidente da Argentina, Javier Milei, que divulgou a carta de Trump nas redes sociais e declarou sentir-se honrado. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também confirmou o convite em publicação na rede social X. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, além de líderes europeus e do Egito, também estariam entre os convidados.

Em comunicado divulgado na última sexta-feira (16), o governo Trump anunciou a formação do grupo responsável pela governança de Gaza, que inclui o enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff; o secretário de Estado, Marco Rubio; o genro do presidente, Jared Kushner; e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, entre outros. Segundo a Casa Branca, caberá a esse comitê executivo seguir as diretrizes definidas pelo Conselho da Paz. Um segundo comitê executivo também está em formação, com autoridades de perfil tecnocrático da Turquia e do Catar. Até o momento, nenhum líder palestino foi indicado para integrar as estruturas de governança.

Nos convites enviados a Javier Milei e Santiago Peña, não há detalhes sobre a composição do conselho nem sobre suas regras de funcionamento. De acordo com a imprensa internacional, incluindo veículos israelenses, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu criticou o anúncio da Casa Branca, afirmando que o comitê executivo “não foi coordenado com Israel e contraria a política do país”.

Um rascunho de um suposto estatuto do conselho, divulgado pela emissora Bloomberg, indicaria que os Estados Unidos estariam solicitando US$ 1 bilhão para garantir assento permanente no colegiado — valor superior a R$ 5 bilhões na cotação atual. A cobrança foi negada pela Casa Branca, segundo informou a agência Reuters.

Críticas

Em meio a um novo ciclo de tensões entre Trump e líderes europeus, motivado pela tentativa do governo norte-americano de anexar a Groenlândia, o presidente Lula voltou a criticar o chefe de Estado dos EUA. Durante cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, no Rio Grande do Sul, nesta terça-feira, Lula afirmou que Trump tenta “governar o mundo” por meio das redes sociais.

“Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, questionou. “É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo ainda está falando do que ele falou”, acrescentou. Ao criticar o uso excessivo de dispositivos eletrônicos, Lula afirmou que não permite a entrada de pessoas com celular em seu gabinete.

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