A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou no dia 28 de janeiro o início de uma grande reestruturação da política de segurança nacional, estabelecendo um prazo de 100 dias para elaborar e apresentar um novo “Plano de Defesa da Nação”. A declaração foi feita durante uma cerimônia em que ela foi reconhecida como comandante-chefe das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), evento que ocorre em meio a uma profunda crise política e institucional no país.
A iniciativa tem como objetivo reorganizar as estratégias de defesa do país diante de um cenário de incertezas, especialmente após a operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e sua condução aos EUA para enfrentar acusações federais.
Rodríguez afirmou que o plano deve ser construído em unidade entre civis, forças militares e policiais, com “diretrizes claras” para um sistema defensivo mais robusto. Ela convocou todas as entidades envolvidas para trabalharem juntas nesse processo de 100 dias.
Como parte das diretrizes estratégicas, Delcy anunciou a formação de um gabinete nacional voltado para a defesa e a segurança cibernética, que será vinculado ao Conselho de Vice-Presidentes e liderado pela ministra da Ciência e Tecnologia, Gabriela Jiménez. A iniciativa busca mobilizar cientistas, especialistas em tecnologia e membros do Conselho Científico Militar para proteger o espaço digital do país.
Em suas declarações, a presidente interina defendeu a necessidade de aprender com as dificuldades recentes e exaltou o espírito de luta histórico, citando figuras como Simón Bolívar como inspiração para fortalecer a soberania venezuelana.
Delcy também deixou uma mensagem clara aos grupos que, segundo ela, representam ameaças internas ou externas, afirmando que a Venezuela está aberta ao diálogo político dentro do programa de coexistência democrática e paz, mas que quem buscar prejudicar a estabilidade do país “deve permanecer em Washington”, pois em solo venezuelano “haverá lei e justiça”.
A presidente interina reiterou ainda sua disposição a buscar entendimento e diálogo com outras nações, mas descartou aceitar qualquer nova agressão. Ela pediu a liberdade do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, enquanto o processo judicial nos EUA continua, com audiências agendadas para os próximos meses.
Essa movimentação reflete a tentativa do governo venezuelano de consolidar poder interno, reforçar sua soberania frente a pressões externas e reorganizar suas capacidades de defesa nacional em um contexto de forte tensão geopolítica.

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