Funceme aponta 40% de chance de chuvas dentro da média no Ceará entre fevereiro e abril de 2026
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou, na manhã desta quarta-feira (21/01), o prognóstico de chuvas para o trimestre de fevereiro a abril de 2026. De acordo com o estudo, o Ceará tem 40% de probabilidade de chuvas dentro da média histórica, mesma chance de acumulados abaixo da média, e apenas 20% de possibilidade de chuvas acima do normal.
Do ponto de vista espacial, a Funceme indica tendência de condições mais secas no Centro-Sul do Estado, enquanto o Centro-Norte apresenta maior possibilidade de volumes mais elevados. A divulgação ocorreu no Palácio da Abolição.
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, explicou que, nas áreas com menores acumulados, a irregularidade das chuvas pode provocar períodos prolongados de estiagem durante a quadra chuvosa, conhecidos como veranicos. Segundo ele, regiões do Norte do Ceará e áreas serranas podem registrar chuvas mais intensas devido à influência da topografia.
O prognóstico acendeu um alerta entre parlamentares. Para o deputado Leonardo Pinheiro (Progressistas), o cenário é preocupante, especialmente diante da perspectiva de maior seca no Centro-Sul. O parlamentar anunciou que irá articular uma reunião com a Secretaria dos Recursos Hídricos e gestores municipais do Vale do Jaguaribe para discutir ações emergenciais que garantam o abastecimento de água, principalmente para a manutenção do rebanho leiteiro.
Já o deputado Guilherme Landim (PSB), vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional, Recursos Hídricos, Minas e Pesca da Alece, destacou a importância da quadra chuvosa para o interior do Estado. Ele afirmou manter expectativa positiva para a chegada das chuvas, fundamentais para a agricultura e o abastecimento das comunidades.
A Funceme esclarece que o prognóstico considera o acumulado total do trimestre, e não previsões mensais. Para o período analisado, chuvas abaixo de 512,5 mm são classificadas como abaixo da normalidade; entre 512,5 mm e 705,9 mm, dentro da normalidade; e acima de 705,9 mm, acima da média histórica.
O cenário se agrava diante dos dados do Monitor de Secas, que aponta que, em dezembro do ano passado, 42,04% do território cearense estava em condição de seca grave, atingindo 95 municípios — o pior índice desde 2018.
O secretário dos Recursos Hídricos, Fernando Santana, afirmou que o Governo do Estado atua de forma preventiva, com obras estruturantes como o Cinturão das Águas, a Malha D’Água e a duplicação do Eixão das Águas, além de ações emergenciais como adutoras, carros-pipa e perfuração de poços.
Já o secretário do Desenvolvimento Agrário, Moisés Braz, ressaltou que, mesmo diante do risco de chuvas abaixo da média, a expectativa é positiva para a agricultura familiar. Ele destacou ações como a implantação de cisternas, o programa Garantia Safra, o apoio à comercialização da produção rural e iniciativas voltadas à segurança alimentar e hídrica no semiárido.

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