terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Ataque dos EUA a parceiro da Otan será "fim de tudo", alerta Dinamarca

 

foto: Otan


A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, fez um alerta contundente nesta segunda-feira (5) ao afirmar que qualquer ação militar dos Estados Unidos contra outro país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) representaria uma ruptura grave com consequências imprevisíveis. Segundo ela, um ataque dessa natureza colocaria em risco toda a estabilidade do bloco militar.

Tanto a Dinamarca quanto os Estados Unidos fazem parte da Otan. A Groenlândia, apesar de possuir autonomia administrativa, integra o Reino da Dinamarca e, por consequência, também está sob o guarda-chuva da aliança atlântica.

As declarações de Frederiksen ocorrem em meio à recusa do presidente norte-americano, Donald Trump, em descartar publicamente o uso da força contra a Groenlândia. Trump tem afirmado que a Dinamarca não dispõe de meios suficientes para garantir a segurança da região, argumento que voltou ao centro do debate após a recente operação militar dos EUA na Venezuela, realizada no sábado (5), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump foi questionado sobre as repercussões de uma eventual ação semelhante contra a Groenlândia. Em resposta, afirmou que caberia aos aliados avaliar os impactos, destacando que cada parceiro deveria formar sua própria opinião. Apesar disso, minimizou a urgência do tema, indicando que o assunto não seria tratado de forma imediata, sugerindo um prazo de algumas semanas ou meses para retomada das discussões.

Ainda assim, sinais políticos indicam que o tema permanece ativo na agenda de Washington. Recentemente, Trump nomeou Jeff Landry como representante especial para a Groenlândia, gesto interpretado como demonstração de que o interesse estratégico dos Estados Unidos pela ilha persiste. Em diferentes ocasiões, inclusive em Mar-a-Lago e durante deslocamentos oficiais a bordo do Air Force One, o presidente voltou a mencionar razões de “segurança nacional” para justificar uma eventual ampliação da presença americana na região ártica.

Diante desse cenário, Mette Frederiksen reiterou sua preocupação e afirmou que as declarações de Trump devem ser encaradas com seriedade. A premiê enfatizou que os Estados Unidos não possuem qualquer legitimidade para anexar territórios pertencentes ao Reino da Dinamarca e lembrou que a própria Groenlândia já manifestou, de forma reiterada, não ter interesse em integrar os EUA.

A reação também veio da liderança groenlandesa. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nas redes sociais que as pretensões norte-americanas ultrapassaram os limites aceitáveis, classificando a ideia de anexação como irreal. Ele defendeu que qualquer diálogo ocorra exclusivamente por vias diplomáticas e em conformidade com o direito internacional.

No cenário internacional, a União Europeia declarou apoio explícito à Dinamarca, reforçando que a Groenlândia não é um território negociável. O Reino Unido também se posicionou. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o destino da Groenlândia deve ser decidido exclusivamente pelos groenlandeses e pelo Reino da Dinamarca, sem interferências externas, em declaração concedida à emissora Sky News.


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