sexta-feira, 31 de julho de 2026

Pesquisa espontânea mostra empate técnico entre Ciro Gomes e Elmano, enquanto 70% estão ainda indefinidos.



A mais recente pesquisa de intenção de voto para o Governo do Ceará, no cenário espontâneo, aponta um quadro de equilíbrio entre os dois principais nomes citados pelos eleitores. O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) aparece com 15% das intenções de voto, enquanto o governador Elmano de Freitas (PT) registra 13%, configurando um empate técnico dentro da margem de erro do levantamento.
O dado que mais chama atenção, no entanto, é o elevado percentual de indecisos. Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar ou ainda não definiram seu candidato, demonstrando que a disputa segue amplamente aberta e sujeita a mudanças ao longo dos próximos meses.

Na modalidade espontânea, em que os entrevistadores não apresentam uma lista de candidatos aos eleitores, André Fernandes (PL) e o ministro Camilo Santana (PT) também foram mencionados, mas não alcançaram 1% das citações. Outros nomes igualmente não registraram percentual significativo.

Os votos brancos, nulos e daqueles que afirmaram não votar somam 1% da amostra, enquanto 1% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder.

O cenário revela que, apesar da liderança numérica de Ciro Gomes, a disputa permanece indefinida, especialmente diante do grande contingente de eleitores que ainda não manifestou preferência consolidada por nenhum nome.

O levantamento ouviu 1.002 eleitores, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de julho em todo o território cearense. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número CE- 09277/2026 e foi contratada pela Genial Investimentos.

Mega-Sena acumula e próximo prêmio está estimado em R$ 100 milhões

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/ARQUIVO


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.039 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (30). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 100 milhões para o próximo sorteio, que será realizado no sábado (1º).

As dezenas sorteadas foram: 30 - 35 - 38 - 39 - 46 - 50.

- 41 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 64.733,96 cada;

- 2.549 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.716,31 cada.
Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de sábado (1º), em qualquer casa lotérica credenciada pela Caixa ou pela internet, no site ou aplicativo do banco.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

*Agência Brasil

Santa Casa de Sobral recebe novo acelerador linear para fortalecer atendimento oncológico da Região Norte

Josivânia Brito/Ascom Santa Casa.

A Santa Casa de Misericórdia de Sobral recebeu um novo acelerador linear, equipamento utilizado no tratamento radioterápico de pacientes com câncer. Após a conclusão da instalação, dos treinamentos e do processo de licenciamento a nova tecnologia deverá dobrar a capacidade de atendimento de radioterapia da instituição, passando dos atuais 600 para cerca de 1.200 novos pacientes por mês.

O equipamento, um acelerador linear Halcyon, é considerado uma tecnologia de última geração para radioterapia e é o segundo do tipo instalado no Ceará. O aparelho permite tratamentos mais rápidos, precisos e seguros para diversos tipos de câncer, incorporando recursos avançados de radioterapia guiada por imagem (IGRT), que garantem maior precisão na aplicação da dose de radiação e preservam os tecidos saudáveis ao redor do tumor.

A aquisição foi viabilizada por meio de portaria do Ministério da Saúde, do Governo Federal, com investimento de R$ 7,15 milhões. Para receber o equipamento, a Santa Casa investiu R$ 3,5 milhões, com recursos próprios, na construção de um bunker, estrutura especializada que garante o isolamento da radiação e a segurança durante o funcionamento do aparelho.

A diretora executiva da Santa Casa de Misericórdia de Sobral, Renata Morbeck, destaca que a chegada do novo acelerador linear integra um amplo processo de modernização da instituição. "Estamos estruturando o parque tecnológico da Santa Casa para oferecer uma assistência cada vez mais qualificada à população. A chegada deste acelerador linear representa uma grande conquista não apenas para a nossa instituição, mas para toda a Região Norte do Ceará. Estamos investindo, com a ajuda do governo federal, em tecnologia, inovação e ampliação da capacidade de atendimento para garantir que mais pacientes tenham acesso a um tratamento oncológico moderno, seguro e humanizado pelo SUS."

O equipamento encontra-se em fase de instalação. A próxima etapa será conduzida pela Varian Medical Systems, responsável pela montagem mecânica, elétrica e dos sistemas de refrigeração da máquina. Em seguida, serão realizados os treinamentos presenciais das equipes de radioterapia, envolvendo médicos, físicos médicos, enfermeiros e técnicos.

De acordo com o físico médico da Santa Casa, Adenilson Paiva, a chegada do Halcyon representa um importante avanço para a assistência oncológica da Região Norte do Ceará. "Com a instalação dessa nova máquina conseguiremos dobrar nossa capacidade de tratamento. Além de ampliar o acesso, estamos incorporando uma tecnologia de última geração que proporcionará tratamentos mais precisos, rápidos e seguros para os pacientes."

Após a instalação, o equipamento passará por um período de aproximadamente três meses de testes, validações e controle de qualidade, além do processo de licença de funcionamento junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Durante esse período, também será concluída a capacitação das equipes assistenciais.

Segundo Adenilson Paiva, a nova tecnologia representa um ganho significativo para toda a macrorregião Norte do Estado. "Essa conquista beneficia os 55 municípios atendidos pela Santa Casa. Para quem aguarda um tratamento oncológico, significa mais acesso, redução das filas e melhores condições de cuidado."

Além de ampliar a capacidade de atendimento, o Halcyon oferece tecnologias mais avançadas de tratamento, como a Radioterapia de Intensidade Modulada (IMRT) e a Arcoterapia Volumétrica Modulada (VMAT), técnicas que permitem distribuir a dose de radiação com maior precisão, reduzindo a exposição dos tecidos saudáveis e diminuindo os efeitos colaterais do tratamento. Outra inovação é a realização de imagens antes de cada sessão de radioterapia. O recurso confirma o posicionamento exato do paciente antes da liberação da radiação, aumentando a segurança e a qualidade do tratamento.

A médica radioterapeuta Larissa Amadei destaca que a nova estrutura ampliará significativamente a assistência oncológica na região. "O Halcyon é um acelerador linear extremamente moderno e seguro. Com ele, conseguiremos dobrar nossa capacidade de atendimento e oferecer tratamentos mais rápidos, mantendo elevados padrões de qualidade e segurança para os pacientes."

Atualmente, a Santa Casa de Misericórdia de Sobral é referência em oncologia para os 55 municípios da Região Norte do Ceará. A chegada do novo acelerador linear fortalece o parque tecnológico da instituição e representa um importante avanço na oferta de tratamento radioterápico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população a uma assistência oncológica de alta complexidade.

*Ascom Santa Casa

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Mega-Sena acumula para R$ 86 milhões; confira os números sorteados

Marcelo Casal Jr / Agencia Brasil


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.037 da Mega-Sena, realizado nesta terça-feira (28). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 86 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados são: 02 - 11 - 22 - 30 - 51 - 5438 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 63.121,17 cada 3.447 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 1.147,01 cada.

Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) de quinta-feira (30), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.


* Agência Brasil
Edição: Sabrina Craide.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Começam a vigorar hoje regras que exigem alertas em anúncios de bets

Wagner Ferreira / Divulgação 


Apostar pode causar dependência, faz você perder dinheiro e não é investimento. A partir de hoje (17), as plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, estão obrigadas a exibir ao menos um desses três alertas do Ministério da Fazenda em suas campanhas publicitárias.

Semelhante ao que já ocorre nas propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas, as advertências sobre os riscos das chamadas apostas de quotas fixas deverão ser claras, legíveis e proporcionais ao tamanho da peça publicitária, ocupando ao menos 10% das dimensões totais do anúncio.

A medida faz parte da nova estratégia do governo federal para reforçar a proteção dos consumidores e endurecer a fiscalização sobre as chamadas apostas de quota fixa, operadas pelas bets. E complementa a Portaria nº 1.231, de julho de 2024, do Ministério da Fazenda, que já estabelecia que toda ação de marketing de apostas, inclusive as divulgadas em ambiente digital, deve indicar, de forma clara, a proibição do jogo para menores de 18 anos e os riscos associados à dependência.

Além das mensagens que visam a conscientizar os apostadores, a estratégia federal amplia as restrições ao conteúdo das propagandas, proibindo a divulgação de anúncios que incentivem apostas como forma de ganhar dinheiro ou que exibam comentaristas com o intuito de influenciar o público.

As normas foram publicadas no último dia 10, em duas portarias: uma do Ministério da Fazenda, outra dos ministérios da Fazenda; da Justiça e Segurança Pública e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

A Portaria nº 1.964, do Ministério da Fazenda, trata a obrigatoriedade das bets alertarem as pessoas quanto aos riscos associados de dependência e de transtornos do jogo patológico como um direito cidadão. Já a portaria interministerial MF/Secom/MJSP nº 73 aplica-se não só às operadoras de apostas (bets), como também às empresas que divulguem, transmitam, distribuam, impulsionem ou veiculem ações de marketing relativas às apostas.

A Portaria nº 73 reforça que a legislação brasileira proíbe a promoção de empresas de apostas que o Ministério da Fazenda não tenha autorizado a operar ou que contenham hiperlink, código promocional, link de afiliado, código de leitura óptica ou outro mecanismo que direcione o usuário a canal eletrônico de agente operador não autorizado.

A legislação também proíbe a veiculação de estratégias de apostas, prognósticos, opiniões técnicas ou análises sobre eventos esportivos que, em razão de sua proximidade temporal, espacial ou contextual com conteúdo editorial e ação publicitária, sejam aptos a induzir ou influenciar a realização de apostas de quota fixa em determinado evento ou mercado de apostas; a exibição de apostas premiadas, inclusive em moeda corrente.

Influenciadores


Advogada especialista em direito empresarial, Fernanda Machado, adverte que influenciadores e empresas de comunicação que publicizem os anúncios também podem ser responsabilizados em caso de descumprimento das normas.

“Não são só as casas de apostas. Influenciadores, canais de transmissão. Enfim, todos os veículos que publicarem anúncios das bets também são obrigados a cumprir as regras, e quem não observá-las, pode ser responsabilizado”, disse a advogada ao ser entrevistada no programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM.

Fernanda lembrou que, antes mesmo das novas regras entrarem em vigor, autoridades públicas já vinham adotando medidas para responsabilizar influenciadores, a exemplo do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, que, na semana passada, ajuizou uma Ação Civil Pública contra a plataforma Blaze e a influenciadora Virginia Fonseca, apontada como “coautora” de “supostas práticas abusivas na divulgação de apostas esportivas”.

Para a advogada, as novas medidas têm o intuito de proteger os consumidores, conscientizando os consumidores das noções dos riscos envolvidos no ato de apostar. “As portarias vêm regular essas propagandas e não deixar que elas se pareçam com uma opinião pessoal, já que, hoje, há influenciadores capazes de influenciar milhões de pessoas”, acrescentou Fernanda.

“Claro que as empresas vão argumentar que as pessoas estão jogando porque querem; que elas são maiores de idade e são responsáveis por seus atos. A Justiça, porém, vai observar se a empresa cometeu alguma irregularidade, inclusive na parte técnica, na programação [do jogo]”, finalizou a advogada.

Impulsividade


Doutor em finanças e em educação e professor da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ahmed El Khatib considera as novas regras um avanço necessário.

“Quando as pessoas apostam, nem sempre estão tomando uma decisão totalmente racional", disse o Ahmed El Khatib. Foto: Framestock/ Adobe Stock - Framestock/ Adobe Stock

“Acho que essa é uma medida bastante positiva e que vai na direção certa”, afirmou Ahmed à Agência Brasil. Especialista em psicologia econômica, o professor afirma que a exigência de alertas funciona como um ponto de reflexão que, muitas vezes, pode ajudar a conter a impulsividade que, frequentemente, guiam o apostador.

“Quando as pessoas apostam, nem sempre estão tomando uma decisão totalmente racional. Emoções, impulsividade, excesso de confiança e aquela sensação de que "agora vai dar certo" acabam falando mais alto. Nesse sentido, um alerta claro pode funcionar como um pequeno momento de reflexão antes da aposta”, comentou Ahmed, destacando que a ciência já comprovou que, para uma parte da população mundial, jogos e apostas podem causar dependência, endividamento, provocar conflitos familiares e trazer impactos importantes para a saúde mental.

“Evidentemente, os avisos, sozinhos, não resolvem o problema, mas [neste caso, eles] fazem parte de uma estratégia maior de conscientização e proteção ao consumidor. Como as acertadas restrições ao uso de comentaristas e influenciadores para estimular as apostas”, disse Ahmed, enfatizando a importância da proibição da veiculação da falsa ideia de que apostar é uma forma de ganhar dinheiro ou de investimento.

“Quem aposta deve enxergar isso apenas como entretenimento, sabendo que existe a possibilidade concreta de perder dinheiro. Precisa entender não apenas os riscos financeiros, mas também como diversos mecanismos psicológicos são utilizados para mantê-las jogando por mais tempo, aumentando a sensação de controle e alimentando a expectativa de uma grande vitória que, na maioria das vezes, nunca acontece”, concluiu o professor.



*Agencia Brasil
Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
Edição: Aécio Amado

São Paulo e Santa Catarina sofrem 52% do impacto do tarifaço dos EUA

ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos Créditos: Fabio Rodrigues - Pozzebom/ Agência Brasil



Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do mais recente tarifaço anunciado pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil. Dos US$ 7,4 bilhões em vendas afetadas pelas tarifas de 25%, US$ 3 bilhões têm origem em São Paulo.

O estado economicamente mais forte do país concentra, sozinho, 41,6% do total do valor das exportações afetadas. Isso representa 20% de exportações paulistas aos EUA. Considerando o total das exportações afetadas, Santa Catarina tem uma situação mais crítica, com 68% das exportações aos EUA afetadas.

Os dados são da ApexBrasil, a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDCI). A agência anunciou um plano de R$ 130 milhões para auxiliar essas empresas a diversificarem seus mercados.

O setor madeireiro do Paraná também deve ser muito afetado. Isso porque 30% das importações de madeira dos EUA vem do Brasil. Desse total, 66,7% tem origem no Paraná.

“Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, comentou o presidente o presidente da ApexBrasil Laudemir Müller.

Ontem, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros alegando supostas práticas "desleais" no comércio por parte do Brasil.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação. As novas tarifas passam a valer a partir do dia 22 de julho e deve afetar 19,2% do total exportado ao país norte-americano.

Granito


Além da madeira, os EUA também é um grande importador de granito do Brasil, produto que entrou no tarifaço. Dados da ApexBrasil apontam que 36% do granito importado pelos EUA veem do Brasil. O material é usado na construção civil.

“Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, comentou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.


*Agência Brasil
Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Edição: Maria Claudia

Pesquisa: maioria dos brasileiros responsabiliza Flávio Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República / Crédito: Pedro França/Agência Senado


Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana aponta que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio Bolsonaro a responsabilidade política pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

De acordo com o levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a avaliação de que Flávio teve responsabilidade no episódio. Já 30% afirmam concordar com a versão apresentada pelo senador.

A pesquisa também mostrou que 49% dos brasileiros acreditam que as tarifas foram uma forma de retaliação relacionada ao Pix, enquanto 33% concordam com a explicação defendida por Flávio Bolsonaro sobre as motivações da medida.

Outro dado que chamou atenção é a percepção sobre os impactos econômicos: 63% dos entrevistados acreditam que o tarifaço vai prejudicar a vida de suas famílias.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho de 2026, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Setores atingidos por tarifaço dos EUA terão novo plano de socorro

Valter Campanato - Agência Brasil


O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que retomará o programa de apoio aos setores empresariais atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). Ontem, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros alegando supostas práticas "desleais" no comércio por parte do Brasil.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação. As novas tarifas passam a valer a partir do dia 22 de julho.

"O governo, a partir de agora, tem como prioridade atender e apoiar esses setores por essa injusta, indevida e ilegal tarifação que nos foi imposta", afirmou o ministro Márcio Elias Rosa, titular da pasta Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante coletiva de imprensa, em Brasília, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outros ministros, incluindo Dario Durigan, da Fazenda.

Segundo Rosa, os exportadores mais atingidos desta vez são os setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliários, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Eles deverão contar com linha de crédito para capital de giro, investimentos e com apoio para escoamento de produtos a outros clientes e países.

Estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, apontam um total de 2,4 mil empresas nacionais diretamente atingidas pelo tarifaço, que respondem, juntas por cerca de 18% das exportações brasileiras com destino aos EUA, o que corresponde a transações estimadas de US$ 7,4 bilhões, na comparação com números de 2024.

Prejuízo


No ano passado, esses mesmos setores já haviam reduzido para US$ 5,5 bilhões o volume total de exportações aos norte-americanos. Mais da metade da pauta de exportações do Brasil aos EUA, como carnes, café, óleos e itens de aviação, foi poupada da taxação por decisão norte-americana desta vez.

A participação dos EUA nas exportações brasileiras, que era de 12,1%, até o ano passado, caiu para 9,4% em 2026, e o governo continuará a fomentar uma política de diversificação de mercados para esses produtos, afirmou Márcio Elias Rosa.

Geraldo Alckmin disse que o governo estuda formas de aplicar a Lei de Reciprocidade - Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ex-ministro do MDIC e um dos negociadores brasileiros com os EUA, afirmou que, a partir de agora, o governo vai estudar formas de aplicar a Lei da Reciprocidade.

Aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional, a norma estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.

"Nós temos uma lei, a lei da reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, e o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la", disse Alckmin, que chamou o novo tarifaço de "injusto" e "descabido".

Interferência externa


O ministro da Fazenda classificou a decisão dos EUA com uma interferência externa indevida.

"É inadmissível, do ponto de vista do governo, ter essa interferência externa, seja ela política, econômica, seja ela uma forma qualquer para afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros", disse Dario Durigan.

Segundo o ministro, todas as alegações dos EUA são falsas e não se sustentam em dados concretos.

De acordo com Durigan, o tarifaço não afetará a estabilidade macroeconômica do país e as medidas de socorro que serão tomadas pelo governo deverão ser linhas de crédito em montantes inferiores aos do ano passado, já que a lista de exceções ao tarifaço está maior desta vez.

Pix


Entre os pontos questionados pelos norte-americanos, nas diversas rodadas de negociação desde o ano passado, está o Pix, o sistema brasileiro de transferências e pagamentos eletrônicos, criado pelo Banco Central (BC).

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi enfático ao dizer que o Pix não se sustenta como motivo para o tarifaço, e que empresas norte-americanas de cartão de crédito, que estão entre as principais do mercado, não foram diretamente afetadas.

"Seria mais ou menos como tentar dizer que, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão pipa. Por mais estapafúrdio que possa parecer esse argumento, nem ele se comprovou verdade. Analisando o que aconteceu efetivamente, a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%. Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos".

A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Entre as medidas citadas pelo governo norte-americano estão "práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal".

Em outras das alegações por parte do governo dos EUA contra o Brasil, estariam o aumento do desmatamento e o comércio ilegal de madeira.

Os dois dados foram classificados de falsos e sem fundamento técnico pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Ele lembrou, por exemplo, que a redução do desmatamento na Amazônia foi de 50% nos últimos três anos.


*Agência Brasil
Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil
Edição: Aline Leal

Dezenove anos após "banho", Messi reencontra Yamal em final histórica

Creditos: Joan Monfourt/UNICEF


A classificação de Argentina e Espanha à final da Copa do Mundo fez com que fotos de 2007, que viralizaram há dois anos, voltassem a repercutir.

No ensaio fotográfico, realizado para um calendário beneficente produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com o jornal espanhol Sport, uma jovem estrela do futebol chamada Lionel Messi, então com 20 anos, dava banho – ou tentava – em um bebê de cinco meses.

A família daquela criança residia em Mataró, na Catalunha, uma das comunidades autônomas da Espanha. A mãe, Sheila, nasceu em Guiné Equatorial. O pai, Mounir, é marroquino. Eles foram sorteados para que o menino participasse da ação.

Quase duas décadas se passaram até que uma publicação de Mounir nas redes sociais, em meio à Eurocopa de 2024, revelasse a identidade do neném na banheira: o craque espanhol Lamine Yamal.

Dezenove anos depois, os personagens daquele ensaio, registrado pelo fotógrafo Joan Monfort, estarão novamente frente a frente neste domingo (19), porém como adversários no maior jogo de futebol possível: uma final de Copa do Mundo.

O jogo será em Nova Jersey, nos Estados Unidos, a partir das 16h (horário de Brasília).

Quando os destinos se cruzam


A história deles se cruza definitivamente após coincidências de carreira. Aos sete anos, Yamal foi levado ao Barcelona por Jordi Roura, então diretor de La Masia, como é conhecida a famosa academia de formação do clube.

O jovem acompanhou de perto a trajetória de Messi na base do time espanhol, para onde migrou aos 13 anos, levado por Carles Rexach, à época dirigente dos Blaugranas (azul-grená, na tradução do catalão, apelido da equipe).

Foto: Instagram Messi

Ambos também pularam etapas e chegaram cedo à equipe principal do Barcelona e às respectivas seleções.

O argentino, aos 17 anos e três meses, estreou de maneira oficial no time adulto do Barça aos 38 minutos do segundo tempo de uma vitória por 1 a 0 sobre o Espanyol, em outubro de 2004, pelo Campeonato Espanhol. Messi substituiu o luso-brasileiro Deco, que marcou o gol do triunfo dos catalães.

A primeira vez com a camisa da Albiceleste (alviceleste, na tradução do espanhol, apelido da seleção argentina) foi aos 18 anos e um mês, em amistoso contra a Hungria, em 17 de agosto de 2005. A então jovem promessa entrou em campo aos 18 da etapa final, mas ficou apenas 47 segundos em campo. Tempo suficiente para acertar uma cotovelada no zagueiro Vilmos Vanczak e ser expulso.

Menos de um ano depois, porém, lá estava Messi na primeira das seis Copas do Mundo de sua carreira. A uma semana de completar 19 anos, o atacante foi a campo aos 30 do segundo tempo da vitória por 6 a 0 sobre Sérvia e Montenegro, no lugar de Maxi Rodríguez.

Ao contrário das outras estreias, o atacante desta vez balançou as redes, fechando o placar com o "gol um" dos 21 anotados em Mundiais, que o tornaram o maior artilheiro da história do evento.

Quando Yamal tinha 12 anos, uma reportagem do diário espanhol Marca o descreveu justamente como "uma cópia fiel" de Messi "em todos os aspectos: dribles, tabelas e finalizações". Ele, porém, é ainda mais precoce.

Na primeira vez no time principal do Barcelona, o atacante tinha somente 15 anos e nove meses quando foi a campo, em 29 de abril de 2023, na vitória por 4 a 0 sobre o Real Betis, pelo Espanhol. Curiosamente, assim como o argentino, o jovem estreou aos 38 minutos da etapa final.

Outra marca de Yamal foi se tornar, aos 16 anos e pouco mais de um mês, o titular mais novo da história do Barça, ao iniciar o duelo contra o Cádiz pela liga nacional, em 20 de agosto de 2023.

Em questão de dias, veio a convocação à equipe principal da Espanha pelo técnico Luis de la Fuente - com quem já tinha trabalhado nas seleções de base - seguida pelo primeiro gol, na goleada por 7 a 1 sobre a Geórgia, em 8 de setembro.

Foto: Reprudução - Instagram Yamal

A Copa deste ano é a primeira da joia catalã. Ao contrário de Messi, Yamal estreou em Mundiais já como titular e campeão europeu pela Fúria (apelido da seleção espanhola) em 2024.

O primeiro gol, que inaugurou o placar da vitória por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita, pela segunda rodada da fase de grupos, fez dele o oitavo jogador mais jovem a balançar as redes na história do torneio, aos 18 anos e 357 dias, superando em duas semanas a marca do próprio camisa 10 argentino.
Uma "quase" dupla de ataque

O curioso é que os dois poderiam estar lado a lado nesta Copa. Em 2004, ainda desconhecido em seu país, Messi tinha 17 anos e já era monitorado para representar a Espanha na base.

O empresário Horácio Gaggioli, natural de Rosário, assim como o craque argentino, entregou uma fita com lances dele a Claudio Vivas, auxiliar do então treinador da Albiceleste, Marcelo Bielsa.

Na ocasião, se um jogador atuasse por uma seleção de base em um jogo oficial, competitivo ou amistoso, ele ficava impossibilitado de representar outra nação. Por isso, a Associação de Futebol Argentino (AFA) organizou, às pressas, uma partida entre as equipes sub-20 do país e do Paraguai. Os hermanos venceram por 8 a 0 e foi justamente Messi, vestindo a camisa 17, quem fez o último gol.

No ano seguinte, Messi liderou a Argentina ao título do Campeonato Mundial sub-20, na Holanda. Decisivo, balançou as redes nos quatro jogos das fases eliminatórias.

Entre as "vítimas", estiveram o Brasil nas semifinais (vitória por 2 a 1) e, ironicamente, a própria Espanha, que sofreu dois gols do craque no triunfo da Albiceleste por 3 a 1.

Se era o destino que Messi, de fato, vestisse a camisa argentina ao invés da espanhola, quis ele também que a despedida do camisa 10 em Copas do Mundo ocorresse justamente diante da Fúria e com Yamal – o bebê por ele "banhado" – do outro lado. Uma simbólica passagem de bastão para decidir o campeão deste Mundial de protagonistas.


Fonte: Agência Brasil
Lincoln Chaves - Repórter da EBC
Edição:Denise Griesinger