sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ceará mira mercado bilionário com Projeto Halal e participação na Gulfood em Dubai

 

foto: Ascom SDE


Ceará estrutura cadeia de ovinos e caprinos para exportação ao mundo árabe e mira novos investimentos internacionais

Com foco na exportação de carne de ovinos e caprinos, o Ceará dá um passo estratégico para acessar o mercado do Oriente Médio. O Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), confirmou participação na Gulfood 2026, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo árabe, que será realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A missão internacional contará com a presença do secretário executivo do Agronegócio da SDE, Silvio Carlos, além de empresários do setor e investidores. A agenda marca o lançamento internacional do Projeto Halal Ceará, iniciativa do Governo do Estado em parceria com FAEC/SENAR, Embrapa, UECE, UFC, IFCE e outras instituições.

O projeto tem como objetivo adequar a produção cearense às normas religiosas e técnicas do Islã, possibilitando a inserção do estado em um mercado global que movimenta trilhões de dólares por ano.

A Gulfood é considerada a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, reunindo delegações de diversos países em busca de negócios, parcerias e inovação. A edição de 2026 terá foco em tendências de mercado, sustentabilidade e conexões comerciais globais.

Cadeia produtiva estruturada

O eixo central da estratégia é a ovinocaprinocultura. Segundo Silvio Carlos, o projeto contempla toda a cadeia produtiva, da criação no campo à exportação. “O projeto cobre toda a jornada: padronização do rebanho, implantação de frigoríficos especializados, certificação halal e acesso ao mercado árabe”, explica.

A SDE deve apresentar, ainda na última quinzena de janeiro, o plano final de estruturação do setor, com a identificação de territórios estratégicos no interior do Ceará que possuem vocação para a atividade, além da definição dos locais onde serão instalados abatedouros e estruturas logísticas.

Para o secretário do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, a presença do Ceará na Gulfood representa uma decisão estratégica. “Não é apenas uma participação institucional. Estamos levando o Ceará para o centro do mercado global de alimentos, com o objetivo de atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a renda do produtor rural”, afirma.

Domingos Filho ressalta que o selo Halal vai além do aspecto religioso. “Trata-se de um padrão internacional de qualidade, sanidade e rastreabilidade. Para a ovinocaprinocultura cearense, isso significa sair da produção de subsistência para uma cadeia industrial competitiva e de alto valor agregado”, pontua.

Certificação Halal

O termo Halal, que significa “permitido” em árabe, refere-se a produtos que seguem as regras da lei islâmica. No caso das carnes, a certificação exige:

  • Abate específico, realizado por um muçulmano praticante, com o animal voltado para Meca;

  • Rigorosos padrões de bem-estar animal e sanidade;

  • Rastreabilidade completa, garantindo que o produto não tenha contato com substâncias proibidas, como carne suína ou álcool.

Desenvolvimento no interior

Além da exportação, o projeto tem como meta fortalecer o desenvolvimento econômico do interior do estado, com capacitação técnica de produtores e gestores e agregação de valor à produção local.

“Na Gulfood, estaremos frente a frente com os principais compradores mundiais, ao lado de empresários cearenses, para consolidar essa ponte comercial”, destaca Silvio Carlos. A iniciativa também prevê a ampliação da certificação para outros produtos, como alimentos processados, frutas e derivados.

Próximos passos

O Governo do Ceará avança agora na governança institucional do projeto, com articulações junto a entidades certificadoras e investidores internacionais. A expectativa é que, a partir da vitrine em Dubai, o estado se consolide como fornecedor confiável de alimentos para o Norte da África e o Oriente Médio.

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