quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Ceará realiza primeira captação de pulmão no interior do estado

Ascom HRSC -  Fotos



 O Ceará realizou, pela primeira vez, a captação de um pulmão no interior do estado. O procedimento ocorreu na última terça-feira (20), no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Esta foi a primeira vez que um pulmão foi captado fora de Fortaleza desde a implantação do transplante pulmonar na rede pública estadual, em 2011.

A ação integrou a primeira captação múltipla de órgãos realizada no Estado em 2026. Além do pulmão, dois rins também foram captados e encaminhados para transplante na Capital.

Para viabilizar o procedimento, foi montada uma ampla operação logística, envolvendo cerca de 20 profissionais, entre eles dez servidores do HRSC, quatro médicos e quatro profissionais da Enfermagem da Central de Transplantes do Estado. O trabalho integrado das equipes foi fundamental para garantir segurança e eficiência em todas as etapas da captação.

A operação contou ainda com o apoio de duas aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), responsáveis pelo deslocamento das equipes médicas e pelo transporte dos órgãos dentro do tempo adequado para transplante.

Segundo a secretária da Saúde do Ceará, Tania Mara Coelho, a captação pulmonar no interior representa um avanço significativo na descentralização da alta complexidade em saúde.
“O Ceará é hoje um dos quatro estados brasileiros que realizam transplante de pulmão na rede pública. A primeira captação desse órgão no interior é reflexo de um trabalho contínuo de territorialização do cuidado, com investimentos na qualificação das equipes, na estrutura dos hospitais regionais e na logística integrada da rede”, destacou.

Somente em 2025, o Hospital Regional do Sertão Central realizou 71 captações de órgãos. Para o diretor-geral da unidade, Cristiano Rabelo, o resultado evidencia a maturidade assistencial do hospital e o fortalecimento do trabalho em rede.
“Uma captação dessa complexidade exige estrutura adequada, logística eficiente, protocolos bem definidos e equipes altamente comprometidas. Esse feito demonstra que o hospital está preparado para atuar em procedimentos de alta complexidade”, afirmou.

O procedimento teve a participação do cirurgião torácico Israel Medeiros, coordenador do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes. Segundo ele, o fortalecimento do programa permitiu a expansão das captações para além da Capital.
“Passamos a viabilizar captações em outras cidades, garantindo mais oportunidades de transplante e salvando mais vidas”, ressaltou.

Toda a operação foi acompanhada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do HRSC, que atua na unidade desde 2019 e tem papel essencial na identificação de potenciais doadores e na articulação das equipes envolvidas.

Histórico de transplantes no Ceará

Em 2025, o Ceará realizou 2.097 transplantes de órgãos e tecidos. Entre 2011 e 2025, o Estado contabilizou 58 transplantes de pulmão, alcançando a quarta posição no ranking nacional. Atualmente, apenas quatro estados brasileiros realizam esse tipo de procedimento na rede pública: Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

Como ser doador de órgãos

No Brasil, não é necessário deixar nenhum documento formal para ser doador de órgãos. O mais importante é manifestar o desejo em vida e comunicar a família, que é responsável por autorizar a doação. Um único doador pode beneficiar diversos pacientes, por meio da doação de órgãos e tecidos como coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas, ossos e válvulas cardíacas.

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