quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

EUA e Irã retomam negociações sobre programa nuclear, em Genebra



 IRÃ E ESTADOS UNIDOS RETOMAM NEGOCIAÇÕES NUCLEARES EM GENEBRA COM PROPOSTA IRANIANA SOBRE A MESA

Terceira rodada de diálogos indiretos busca superar impasse de décadas em meio a ameaças e posições divergentes sobre programa nuclear e mísseis balísticos

Irã e Estados Unidos retomam nesta quinta-feira (26) as negociações em Genebra, na Suíça, com o objetivo de encontrar uma solução para a longa disputa nuclear e evitar novos ataques contra o território iraniano. Trata-se da terceira rodada de diálogos indiretos mediados por Omã, na tentativa de superar o impasse que se arrasta há décadas sobre o programa nuclear da República Islâmica.

CONTEXTO DAS NEGOCIAÇÕES

Os Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais suspeitam que o programa nuclear iraniano tenha como objetivo a construção de armas atômicas. O Irã rejeita essa acusação e sustenta que suas atividades nucleares são exclusivamente pacíficas, destinadas a fins civis e energéticos.

As negociações ocorrem em um cenário de tensão elevada, com o presidente norte-americano Donald Trump ameaçando os iranianos com uma intervenção armada. Washington enviou recentemente o maior destacamento militar ao Oriente Médio desde a Guerra do Iraque, aumentando a pressão sobre Teerã.

PARTICIPANTES E MEDIAÇÃO

Pelo lado americano, participam das negociações indiretas o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano. A delegação iraniana é liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi. O encontro será novamente mediado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi, que já atuou como interlocutor nas rodadas anteriores.

PROPOSTA IRANIANA

Segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna, o Irã apresentou uma proposta para um possível acordo nuclear com os Estados Unidos, transmitida através do intermediário de Omã. "A delegação da República Islâmica do Irã apresentou propostas aos EUA que eliminam todos os pretextos estadunidenses em relação ao programa nuclear pacífico do Irã", informou a agência nesta quinta-feira.

De acordo com a Irna, se esta proposta for rejeitada, "se confirma a suspeita da falta de seriedade dos Estados Unidos em matéria diplomática e a natureza simbólica da sua postura diplomática". A proposta foi anunciada após Araqchi e Albusaidi terem se reunido na noite de quarta-feira.

POSIÇÃO IRANIANA

Antes de partir para Genebra, o ministro Araqchi afirmou que o objetivo era alcançar "um acordo justo e equitativo no menor tempo possível". Ele reiterou as posições fundamentais do Irã: "O Irã jamais, sob quaisquer circunstâncias, procurará desenvolver armas nucleares; ao mesmo tempo, nós, iranianos, jamais abriremos mão do nosso direito de nos beneficiarmos da tecnologia nuclear para fins pacíficos."

O Irã insiste que um acordo pode ser alcançado, desde que Washington mantenha sua disposição de conceder à República Islâmica o direito simbólico de enriquecer urânio e de não impor controle ao programa de mísseis balísticos do país. Estas condições são consideradas cruciais pelos diplomatas iranianos.

POSIÇÃO AMERICANA

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que seria um "grande problema" se o Irã não negociasse a respeito dos mísseis. "Se nem sequer consegue avançar no programa nuclear, será difícil avançar também com os mísseis balísticos", disse Rubio, acrescentando que a questão dos mísseis terá de ser resolvida eventualmente, uma vez que esses armamentos são projetados "exclusivamente para atingir os Estados Unidos" e representam uma ameaça à estabilidade regional.

DISTANCIAMENTO DAS POSIÇÕES

Os dois lados iniciam as negociações indiretas com posições consideravelmente distantes. Enquanto Washington insiste na suspensão do enriquecimento de urânio iraniano e na limitação do alcance dos seus mísseis, Teerã afirma que só estaria disposto a reduzir seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções econômicas impostas ao país.

DECLARAÇÕES DE TRUMP E RESPOSTA IRANIANA

Na madrugada de quarta-feira, o presidente Donald Trump acusou Teerã de estar desenvolvendo mísseis capazes de atingir território americano e garantiu que não permitiria que "o maior patrocinador do terrorismo no mundo" tivesse arma nuclear.

Teerã classificou as afirmações de Trump como "grandes mentiras". O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, declarou nesta quinta que a República Islâmica não desenvolve armas nucleares. "Trump disse que o Irã deve declarar que não vai desenvolver armas nucleares, mas já dissemos isso em inúmeras ocasiões", afirmou Pezeshkian.

O presidente iraniano ressaltou que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, proibiu o desenvolvimento de armas nucleares e que, após fazer estas declarações, "significa que não as teremos". Pezeshkian destacou ainda seu empenho em tentar sair "desta situação de 'nem guerra nem paz'".

PERSPECTIVAS

A terceira rodada de negociações ocorre em um momento crítico, com a comunidade internacional acompanhando de perto os desdobramentos. O sucesso ou fracasso das conversas poderá determinar não apenas o futuro do programa nuclear iraniano, mas também a estabilidade de toda a região do Oriente Médio.

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