SISTEMA DE SAÚDE DE CUBA ENFRENTA DESAFIOS CRÍTICOS COM AGRAVAMENTO DA CRISE ENERGÉTICA
Restrições no fornecimento de combustível comprometem atendimento médico e colocam em risco milhões de pacientes
O sistema de saúde público de Cuba atravessa um momento delicado, conforme revelou o ministro da Saúde, José Ángel Portal Miranda, em entrevista recente à agência Associated Press. O gestor alertou que as limitações energéticas impostas ao país estão impactando diretamente a capacidade de atendimento à população.
IMPACTOS DIRETOS NA ASSISTÊNCIA MÉDICA
De acordo com as declarações do ministro, aproximadamente cinco milhões de cubanos que convivem com doenças crônicas podem enfrentar dificuldades no acesso a medicamentos ou adiamentos em seus tratamentos. A situação é particularmente grave para pacientes oncológicos, com 16 mil pessoas podendo ter sessões de radioterapia interrompidas e outros 12,4 mil com quimioterapias ameaçadas.
Os setores mais atingidos incluem os serviços de cardiologia, ortopedia, oncologia e o atendimento a pacientes em estado crítico que dependem de energia elétrica de reserva. Tratamentos renais e o serviço de ambulâncias de emergência também figuram entre as áreas comprometidas pela escassez de combustível.
SISTEMA DE SAÚDE UNIVERSAL SOB PRESSÃO
Cuba sempre se destacou por manter um modelo de saúde universal e gratuito, com clínicas locais distribuídas em praticamente todos os bairros e medicamentos subsidiados pelo Estado. No entanto, esse sistema vem enfrentando crescentes dificuldades nos últimos anos, especialmente após o período pandêmico da covid-19.
O êxodo de milhares de profissionais de saúde e a escassez de medicamentos têm levado muitos pacientes a buscar alternativas no mercado paralelo para adquirir os remédios necessários.
ADAPTAÇÕES E PRIORIDADES
Diante do cenário desafiador, o governo cubano implementou algumas medidas paliativas, como a instalação de painéis solares nas unidades de saúde e a priorização do atendimento a crianças e idosos. As autoridades também impuseram restrições ao uso de equipamentos que demandam maior consumo energético, como tomógrafos computadorizados e aparelhos para exames laboratoriais.
"Estamos diante de um cerco energético com implicações diretas para a vida dos cubanos, para a vida das famílias cubanas", declarou o ministro, acrescentando que os profissionais de saúde têm recorrido a métodos mais básicos para tratar os pacientes, o que efetivamente limita o acesso a cuidados de alta complexidade.
CONTEXTO ATUAL
A ilha caribenha, localizada a aproximadamente 150 quilômetros da costa da Flórida, enfrenta uma crise humanitária mais ampla, com desabastecimento generalizado de alimentos e energia elétrica. O ministro admitiu que os problemas tendem a se agravar nas próximas semanas, embora tenha destacado os esforços do governo para adaptar-se à nova realidade e minimizar os impactos sobre a população mais vulnerável.

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