O tratado nuclear Novo Start, último acordo de controle de armas estratégicas entre Rússia e Estados Unidos, expirou nesta quinta-feira (5), encerrando mais de meio século de mecanismos formais de limitação de arsenais nucleares entre as duas potências.
O acordo estabelecia limites de 1.550 ogivas nucleares estratégicas para cada país, além de restrições ao número de mísseis e lançadores de longo alcance. Com o fim do tratado, Moscou e Washington deixam de estar sujeitos a quaisquer limites formais sobre seus arsenais estratégicos.
Especialistas em segurança internacional alertam que a ausência de um tratado pode aumentar o risco de uma nova corrida armamentista, cenário que também pode ser influenciado pela expansão nuclear da China. Atualmente, Rússia e EUA possuem cerca de 4 mil ogivas cada, enquanto a China tem aproximadamente 600.
O presidente russo, Vladimir Putin, propôs que os dois países continuassem aderindo às principais disposições do tratado por mais um ano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deseja um acordo mais abrangente, que inclua a China, mas não apresentou resposta formal à proposta russa. Pequim, por sua vez, rejeita participar de negociações trilaterais, alegando que seu arsenal é significativamente menor.
Em comunicado, a Rússia declarou que considera o tratado encerrado e afirmou estar preparada para adotar “contramedidas militares e técnicas decisivas” caso surjam novas ameaças à sua segurança nacional, embora também tenha sinalizado abertura ao diálogo diplomático.
Analistas destacam que acordos como o Novo Start garantiam transparência e previsibilidade, elementos considerados essenciais para a estabilidade estratégica. Sem essas garantias, aumenta a dificuldade de interpretar intenções militares, o que pode levar a decisões baseadas em cenários de pior hipótese e elevar o risco de crises.
O Ministério das Relações Exteriores da China classificou o fim do tratado como lamentável e pediu que os Estados Unidos retomem o diálogo com a Rússia sobre estabilidade estratégica. Pequim reiterou que mantém uma política nuclear de autodefesa, com compromisso de não uso primeiro e arsenal mantido no nível mínimo necessário para sua segurança.
A Casa Branca informou que o presidente Donald Trump decidirá o caminho a seguir no controle de armas nucleares e que se manifestará em momento oportuno.
O fim do Novo Start marca uma mudança significativa no equilíbrio estratégico global, ampliando as incertezas sobre o futuro do controle internacional de armas nucleares.

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