terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Justiça condena Marçal a pagar indenização a Boulos por desinformação

foto: Pablo Marçal/Instagram


 A Justiça de São Paulo condenou o influenciador digital e ex-candidato à Prefeitura da capital paulista, Pablo Marçal, ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A decisão está relacionada à divulgação de informações falsas durante a campanha eleitoral de 2024, quando ambos disputavam o comando do município.

Durante o período eleitoral, Marçal vinculou a imagem de Boulos ao consumo de cocaína e publicou em suas redes sociais um suposto laudo médico que indicaria atendimento por uso de drogas ilícitas. A Justiça Eleitoral determinou, ainda durante a campanha, a suspensão do perfil do influenciador no Instagram após identificar indícios de falsificação no documento apresentado.

O caso foi apurado pela Polícia Federal, que indiciou Marçal pela utilização e divulgação do laudo falso. Na sentença, o juiz Danilo Fadel de Castro destacou que, embora o debate político permita críticas duras e contundentes, isso não autoriza a prática de crimes contra a honra nem a criação intencional de fatos inverídicos com o objetivo de destruir reputações.

Segundo o magistrado, houve fabricação deliberada do documento, inclusive com assinatura falsificada de um médico já falecido, configurando tentativa consciente de induzir o eleitorado ao erro. A decisão ressalta que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para a disseminação de calúnias e difamações.

Procurado, Pablo Marçal afirmou que a decisão é de primeira instância e que já está recorrendo, sustentando que o caso ainda será analisado em instâncias superiores.

Guilherme Boulos, por sua vez, declarou em suas redes sociais que considera a condenação insuficiente e informou que continuará com ação criminal relacionada ao episódio.

A decisão reforça os limites jurídicos no ambiente político e digital, especialmente no contexto eleitoral, onde a circulação de informações falsas pode impactar diretamente o processo democrático.

Nenhum comentário:

Postar um comentário