foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10), em São Paulo, que o atual cenário econômico pode permitir ao Brasil discutir uma nova arquitetura para as despesas sociais, com possível integração de benefícios assistenciais.
Durante participação no CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo BTG Pactual, Haddad destacou que o tema ainda está em fase de estudos técnicos e não foi formalizado como proposta de governo nem submetido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o ministro, a ideia não é reduzir gastos, mas modernizar e tornar mais eficaz e sustentável a estrutura de programas sociais. Ele comparou a possível reformulação ao processo que resultou na criação do Bolsa Família em 2003, que unificou diversos programas existentes à época.
Banco Central e juros
Haddad também comentou a política monetária, afirmando que considera importante o papel do Banco Central na estabilidade econômica. Ao abordar os juros, explicou que suas críticas à manutenção de taxas elevadas refletem apenas uma análise econômica, e não um questionamento à autoridade do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O ministro argumentou que, com a inflação em queda e a taxa nominal em 15%, não vê justificativa para o aumento do juro real.
Caso Banco Master
Sobre o Banco Master, Haddad afirmou que houve identificação de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões. Segundo ele, o crescimento exponencial da instituição foi interrompido após a posse de Galípolo no Banco Central. O ministro declarou que as investigações em andamento deverão apontar as responsabilidades pelo caso.
Reforma tributária
Haddad voltou a defender a reforma tributária, afirmando que a mudança deverá elevar significativamente a posição do Brasil em rankings internacionais de qualidade do sistema tributário.
De acordo com o ministro, o país ocupa atualmente a posição 184 entre 190 países avaliados pelo Banco Mundial em relação à qualidade do sistema tributário. Ele acredita que, com a implementação da reforma, especialmente com maior digitalização e transparência, o Brasil poderá figurar entre os melhores sistemas tributários do mundo a partir do próximo ano.

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