ALECE REALIZA 4ª MARCHA EM DEFESA DAS MULHERES E LANÇA PACTO CONTRA O FEMINICÍDIO EM MEIO A ALERTA SOBRE ALTA DE CASOS NO CEARÁ
Caminhada reuniu parlamentares, servidores, entidades e familiares de vítimas na Avenida Desembargador Moreira, em Fortaleza; estado registrou 47 feminicídios em 2025
A Avenida Desembargador Moreira, no bairro Dionísio Torres, foi tomada pela 4ª Marcha em Defesa das Mulheres, iniciativa da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), por meio da Procuradoria Especial da Mulher (PEM). Parlamentares, servidores e entidades parceiras caminharam em defesa dos direitos das mulheres, partindo da concentração, na sede da PEM, até a Praça da Imprensa, em uma mobilização que pediu justiça, igualdade e o fim da violência contra as mulheres.
O evento reuniu entidades de defesa dos direitos da mulher e representantes do Poder Legislativo de municípios cearenses. A caminhada seguiu ao som do batuque do Bloco Frida Khalo, e a chegada à praça contou com a banda Essas Mulheres.
UM GRITO COLETIVO POR JUSTIÇA
A marcha teve o objetivo de operar como um reforço público de encorajamento para a mulher que está em situação vulnerável, segundo a procuradora Especial da Mulher da Alece, deputada Juliana Lucena (PT). “Não é só uma marcha. É um grito coletivo, é um grito por todas as mulheres que já foram silenciadas, que já tiveram medo e se sentiram só. E eu quero dizer para elas que vocês não estão sozinhas. Nenhuma mulher merece passar por nenhum tipo de violência”, reforçou a procuradora.
ALERTA SOBRE FEMINICÍDIO NO CEARÁ
Ações de combate à violência de gênero fazem-se cada vez mais necessárias para além dos muros da Casa do Povo cearense. Em 2025, o estado do Ceará registrou o maior número anual de casos de feminicídio na série histórica iniciada em 2018. Entre janeiro e dezembro, foram 47 ocorrências — em média, uma mulher foi assassinada a cada oito dias. Os dados foram compilados e divulgados pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Estado do Ceará (Supesp-CE). No ano anterior, 41 mulheres foram mortas no Estado. Ou seja, em um ano, os casos de feminicídio aumentaram quase 15%.
PRESENÇA DE MUNICÍPIOS E FAMILIARES DE VÍTIMAS
A Procuradoria Especial da Mulher da Alece garantiu a participação de diversos municípios cearenses, com destaque para as procuradoras municipais de Trairi e São João do Jaguaribe. A 4ª Marcha também contou com representantes de entidades de defesa e proteção dos direitos da mulher e familiares de vítimas de feminicídio, como as do caso Clarissa Gomes, enfermeira do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), morta pelo ex-companheiro em julho de 2025, e do caso Kaianne Bezerra Lima Chaves, morta em um crime planejado pelo próprio marido em agosto de 2023, no município de Aquiraz.
APOIO MASCULINO E INTERIORIZAÇÃO DAS PROCuradorias
Representando o apoio masculino do Legislativo à causa, o deputado Marcos Sobreira (PSB) evidenciou as iniciativas da Alece. “A Assembleia mais uma vez sai da função de legislar, de braço com o Poder Executivo. A Alece foi pioneira, estendeu as procuradorias das mulheres para câmaras municipais, no intuito de conscientizar e reduzir a violência”, relembrou o deputado. Também estiveram presentes na marcha os deputados Tomaz Holanda (Mobiliza) e a segunda-vice-presidente da Alece, deputada Larissa Gaspar (PT).
A coordenadora da PEM, Karisia Mara, destacou o processo de interiorização das procuradorias da Mulher no Estado do Ceará. “Já temos uma política muito forte na Alece no processo de interiorização. Estamos em contato com as procuradorias dos municípios para que a gente consiga fazer um trabalho em rede. A marcha é a culminância desse contato, onde recebemos vereadores, prefeitos, associações e a sociedade de uma forma geral”, pontuou.
SERVIÇOS E MOBILIZAÇÃO
A 4ª Marcha em Defesa das Mulheres ofertou, por meio do Departamento de Saúde e Assistência Social (DSAS) da Alece, aferição da pressão arterial e glicemia e divulgação de informações para a população. O evento contou com entrega de mudas pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) e pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), além de uma feira de artesanato composta apenas por empreendedoras.
COMO DENUNCIAR E ONDE BUSCAR ACOLHIMENTO
Na Procuradoria Especial da Mulher da Alece, as mulheres vítimas de violência encontram acolhimento e atendimento realizado por equipe multidisciplinar (assistentes sociais, psicólogas, advogadas). Os atendimentos podem ser presenciais (Avenida Desembargador Moreira, 2.930 - A) ou virtuais pelo Zap Delas: (85) 99814.0754.
Para denunciar episódios de violência contra a mulher, disque 180 – Central de Atendimento à Mulher.
PRÓXIMOS PASSOS
A deputada Larissa Gaspar convidou os presentes para o lançamento do Pacto Contra o Feminicídio, que será promovido pela Alece na próxima segunda-feira (30/03), com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O evento reforça o compromisso do Parlamento cearense com a construção de uma rede integrada de enfrentamento à violência de gênero e proteção às mulheres.

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