terça-feira, 3 de março de 2026

Brasil tem sexto maior crescimento no ranking das economias do G20

FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil


 COM CRESCIMENTO DE 2,3%, BRASIL SUPERA EUA E OCUPA 6ª POSIÇÃO NO RANKING DO G20 EM 2025

PIB atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado; agropecuária foi o principal motor da economia, mas desaceleração reflete impacto dos juros altos

A expansão de 2,3% da economia brasileira em 2025 posicionou o Brasil na sexta posição do ranking de crescimento do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,7 trilhões no ano passado.

O PIB, que representa o conjunto de bens e serviços produzidos no país, teve na agropecuária seu principal motor em 2025. O resultado marca o quinto ano consecutivo de crescimento da economia brasileira.

DESEMPENHO NO G20

Logo após a divulgação do resultado pelo IBGE, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda publicou um ranking comparativo com o desempenho do PIB entre as 16 economias do G20 que já divulgaram seus dados consolidados de 2025.

A lista é liderada pela Índia, que registrou expansão de 7,5%. O Brasil aparece imediatamente à frente dos Estados Unidos, maior potência econômica do mundo, que cresceu 2,2%. Confira o ranking completo:

  1. Índia: 7,5%

  2. Indonésia: 5,1%

  3. China: 5,0%

  4. Arábia Saudita: 4,5%

  5. Turquia: 3,6%

  6. BRASIL: 2,3%

  7. EUA: 2,2%

  8. Canadá: 1,7%

  9. União Europeia: 1,6%

  10. Reino Unido: 1,4%

  11. Japão: 1,1%

  12. Coreia do Sul: 1,0%

  13. França: 0,9%

  14. Itália: 0,7%

  15. México: 0,6%

  16. Alemanha: 0,4%

CRESCIMENTO COM DESACELERAÇÃO

Apesar do resultado positivo e da posição de destaque no cenário internacional, o desempenho do PIB brasileiro em 2025 aponta desaceleração em relação ao ano anterior. Em 2024, o crescimento havia sido de 3,4%. Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, a perda de ritmo está diretamente associada à política de juros altos adotada ao longo do ano.

"Esse movimento indica que a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto", afirma estudo da SPE.

O hiato do produto, na linguagem dos economistas, é um indicador sobre a capacidade de produção da economia sem gerar pressão inflacionária. O fechamento do hiato indica que os juros altos desestimularam o consumo a ponto de diminuir a alta de preços.

O PAPEL DOS JUROS

A política monetária contracionista — juros em patamar elevado — foi a ferramenta utilizada pelo Banco Central (BC) para conter a inflação, que permaneceu acima da meta (3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual) durante praticamente todo o ano de 2025.

Desde setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC impôs trajetória de alta à Selic — a taxa básica de juros — elevando-a a 15% ao ano em junho de 2025, patamar que se mantém até os dias atuais. Trata-se do maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.

A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país. Quando elevada, age de forma restritiva na economia, encarecendo operações de crédito e desestimulando investimentos e consumo. O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos.

"A perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro", aponta o boletim da SPE.

Apesar do cenário restritivo, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE.

PREVISÃO PARA 2026

O Copom já anunciou que pretende cortar a Selic na próxima reunião do colegiado, nos dias 17 e 18 de março. Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã não deve impactar a redução dos juros.

A SPE estima que o PIB deve crescer 2,3% em 2026. "A expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços", projeta a SPE.

Os técnicos enxergam que a provável redução de juros dará fôlego à indústria e à construção. A isenção de cobrança de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, que entrou em vigor na virada do ano, é outro incentivo ao crescimento, de acordo com a SPE.

"Para os serviços, a expectativa também é de maior crescimento, impulsionado pela reforma da tributação sobre a renda e pela expansão do crédito consignado para o trabalhador privado, além da resiliência do mercado de trabalho", sustenta o boletim.

O cenário para 2026, portanto, combina desafios e oportunidades, com a expectativa de que a redução dos juros e as medidas de estímulo fiscal possam compensar a desaceleração de setores específicos e manter a economia em trajetória de crescimento.

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