GOVERNO FEDERAL PROPÕE AOS ESTADOS REDUÇÃO DO ICMS SOBRE COMBUSTÍVEIS PARA CONTER PRESSÃO DOS PREÇOS E EVITAR GREVE DE CAMINHONEIROS
Haddad levará proposta ao Confaz; estados resistem e argumentam que reduções tributárias nem sempre chegam ao consumidor
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, nesta quarta-feira (18), que o governo federal apresentará proposta aos estados para alterar a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. A medida é uma tentativa de conter a pressão nos preços, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, e de evitar uma possível greve dos caminhoneiros após a alta do diesel.
NEGOCIAÇÃO NO CONFAZ
A estratégia será mediada durante a reunião desta quarta do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão formado pelos secretários de Fazenda de todos os estados e do Distrito Federal e presidido pelo próprio ministro da Fazenda. Haddad não antecipou os detalhes da proposta, mas afirmou que a política de baixar os preços não compromete a saúde fiscal das unidades federativas.
ARGUMENTOS DO GOVERNO
Para o ministro, deve ser levado em consideração o aumento da arrecadação dos estados com o ICMS após as ações federais contra a sonegação fiscal no setor de combustíveis, como a Operação Carbono Oculto. Além disso, segundo ele, a nova Lei do Devedor Contumaz, que combate a inadimplência fiscal reiterada, se adaptada às legislações estaduais, também deve elevar a arrecadação estadual.
"Isso é um dado positivo, que a arrecadação aumenta sem que o imposto aumente", argumentou Haddad em entrevista na sede do Ministério da Fazenda.
POSIÇÃO DOS ESTADOS
Apesar de o governo federal já ter zerado o PIS e a Cofins sobre o diesel na semana passada, de forma temporária, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o alívio no bolso do consumidor será limitado sem a colaboração estadual e pediu "boa vontade" dos governadores.
No entanto, os estados rejeitam baixar o imposto e dizem que a experiência mostra que reduções tributárias sobre combustíveis não costumam ser repassadas ao consumidor final. Em nota publicada nessa terça-feira (17), o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirmou que esse tipo de medida gera uma perda dupla à população, porque o preço do combustível não baixa, mas há perda de dinheiro para políticas públicas.
FISCALIZAÇÃO E COMBATE À ESPECULAÇÃO
Além da subvenção ao diesel, na semana passada o governo federal também determinou, em caráter permanente, medidas de fiscalização e transparência para combater o aumento abusivo dos preços dos combustíveis para fins de especulação. A abusividade será definida por critérios objetivos a serem desenhados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
O ministro Fernando Haddad também lembrou que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar irregularidades no mercado e garantir o repasse da redução dos impostos federais ao preço do combustível.
"Vejam vocês que [o preço da] gasolina não foi alterado, no caso da Petrobras [que elevou o preço do diesel]. No entanto, os especuladores estão aproveitando esse clima tenso em função da guerra para tirar proveito da situação, prejudicando a economia popular. Então, isso é grave", afirmou.
"No caso do diesel, nós fizemos a compensação, tirando PIS e Cofins e subvencionando a diferença para que não houvesse aumento na bomba. E aqueles que estavam especulando antes das medidas do governo, eles não baixaram de preço ainda, pelo menos não todos", acrescentou Haddad.
A reunião do Confaz segue em andamento, e a expectativa é de que as negociações entre governo federal e estados possam resultar em algum alívio para o consumidor nos próximos dias

Nenhum comentário:
Postar um comentário