
O Panorama Global dos Negócios, pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Duke University, revelou queda no otimismo dos empresários brasileiros com a economia, retornando ao patamar registrado em 2014.
Os dados divulgados pela BBC mostram que “incerteza econômica, políticas governamentais, risco cambial, demanda fraca” e “uma série de preocupações – com o cenário interno e externo”, que surgiram desde o início do governo Bolsonaro, contribuíram para que despencasse a confiança de diretores financeiros de 29 médias e grandes empresas brasileiras acompanhadas pela FGV.
O índice caiu 28,2%, do nível mais alto desde 2013 (68,5 pontos, registrado em dezembro de 2018) para 49,2 registrado em setembro deste ano. A escala vai de zero a 100.
A BBC lembra que este é o mesmo patamar registrado em setembro de 2014, quando “incerteza econômica e políticas governamentais também foram citadas pelos empresários, ao lado de inflação (que vinha na trajetória ascendente que culminaria nos 10,67% registrados nos 12 meses até dezembro de 2015) e do aumento de custo de matérias-primas”.
Claudia Yoshinaga, professora da FGV e coordenadora da pesquisa no Brasil, avalia que os resultados refletem a frustração dos empresários, que no fim do ano passado apresentavam alta expectativa de crescimento dos lucros esperados para o primeiro ano do novo governo. A média ponderada caiu pela metade, de 12,9% em dezembro para 6% em setembro de 2019. “A essa altura muitos deles já esperavam que a reforma da Previdência estivesse aprovada”, exemplifica.
Segundo a BBC, a expectativa de investimento em pesquisa e desenvolvimento também encolheu, de 1,4% para 0,4% nos próximos 12 meses, assim como as perspectivas de gastos com tecnologia – de 4,8% em dezembro para 1,8%.
“Além da dificuldade para implementar a agenda econômica vendida durante a campanha, também não estava no horizonte dos empresários o crescimento do risco político a que o Brasil assistiu nos últimos meses, acrescenta a coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV-EAESP”.
*Focus.jor
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