DOURADOS DECRETA CALAMIDADE EM SAÚDE PÚBLICA POR EPIDEMIA DE CHIKUNGUNYA; VACINAÇÃO COMEÇA NA SEGUNDA (27)
Casos ultrapassam 6 mil; taxa de ocupação de leitos chega a 110%; vacina é indicada para pessoas de 18 a 59 anos sem comorbidades
O avanço da epidemia de chikungunya no município de Dourados (MS) fez com que a prefeitura decretasse situação de calamidade em saúde pública. Os casos, antes concentrados na Reserva Indígena de Dourados, são agora registrados também nos bairros da cidade.
DECRETOS E CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO
Em 20 de março, o prefeito Marçal Filho já havia editado decreto declarando situação de emergência em saúde pública no município. Uma semana depois, ele editou outro decreto, declarando situação de emergência em defesa civil nas áreas afetadas por casos de chikungunya.
Em nota, a prefeitura informou que o terceiro decreto segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar o enfrentamento à epidemia na reserva indígena e no perímetro urbano do município. O comunicado cita ainda cenário epidemiológico crítico em Dourados, com elevado número de notificações de chikungunya, ultrapassando 6.186 casos prováveis, além de uma taxa de positividade para a doença de 64,9%.
Também foram levados em consideração dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município, que demonstram a extrapolação da capacidade instalada, com taxa de ocupação de leitos de internação em aproximadamente 110%, o que configura "impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves". O decreto de situação de calamidade em saúde pública tem validade de 90 dias.
VACINAÇÃO
A previsão é que a campanha de vacinação contra a chikungunya em Dourados comece na próxima segunda-feira (27). O primeiro caminhão com as doses chegou ao município na noite da última sexta-feira (17). Nesta quarta (22) e quinta-feira (23), a prefeitura vai trabalhar na capacitação de profissionais de enfermagem para esclarecer a população sobre restrições à vacina e para identificar eventuais comorbidades antes da aplicação da dose.
Regras definidas pelo Ministério da Saúde preveem que apenas pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos podem receber a vacina. A meta é vacinar pelo menos 27% da população-alvo, o que corresponde a cerca de 43 mil pessoas.
CONTRAINDICAÇÕES
A dose não pode ser aplicada nos seguintes casos:
Gestantes ou lactantes
Pessoas que façam uso de medicamentos imunossupressores (como corticóides em altas doses)
Pessoas com imunodeficiência congênita
Pessoas em tratamento de câncer com quimioterapia e radioterapia
Transplantados de órgão sólido
Transplantados de medula óssea há menos de dois anos
Pessoas com HIV/aids
Pessoas com doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatóide)
Pessoas com pelo menos duas condições médicas crônicas (diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer)
Pessoas que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias
Pessoas em estado febril grave
Pessoas que receberam outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias
Pessoas que receberam vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias
LOGÍSTICA DA VACINAÇÃO
A expectativa da prefeitura é que a imunização aconteça de forma mais lenta, já que, antes de receber a dose, o público-alvo precisa passar por avaliação do profissional de saúde. Na sexta-feira (24), os imunizantes serão distribuídos para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades da saúde indígena. O calendário prevê ainda uma ação de vacinação no formato drive-thru no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura de Dourados.
REPASSE FEDERAL
No fim de março, o Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle da chikungunya em Dourados. Em nota, a pasta informou que o valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao fundo municipal. “Os recursos poderão ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população.”
SOBRE A CHIKUNGUNYA
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, o vetor envolvido é o Aedes aegypti. O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e, no segundo semestre de 2014, o Brasil confirmou a presença da doença nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão do arbovírus.
As principais características clínicas da infecção são edema e dor articular incapacitante. Casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para óbito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário