
Michel Jesus/Câmara
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou ter identificado, neste sábado (26), um dos autores de ameaças ao deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ). Na última quinta-feira, o parlamentar anunciou que vai renunciar ao mandato e deixou o país devido a ameaças que sofreu.
O suspeito, segundo o governo, é Marcelo Valle Silveira Melo, já conhecido da Polícia Federal (PF). O investigado é um analista de sistemas de 33 anos, membro de grupo autointitulado "Homens Sanctos", conhecido por fazer ameaças pela internet. Melo, segundo o ministério, atacava Jean Wyllys sob o nome de Emerson Setim, também investigado por crimes virtuais.
Melo já foi preso duas vezes, a última em maio de 2018, e segue detido. Em dezembro ele foi condenado a 41 anos, seis meses e 20 dias de prisão pela Justiça Federal em Curitiba, que não permitiu que ele recorresse em liberdade.
Barbosa afirma, ainda, que Emerson Setim (cuja identidade Melo teria usado para postar as ameaças ao deputado, segundo o Ministério da Justiça), é desafeto de Melo, está em liberdade "e vem postando vídeos ameaçando Marcelo e sua família".
Em nota, o governo afirmou que "repudia a conduta dos que se servem do anonimato da internet para covardemente ameaçar qualquer pessoa e em especial por preconceitos odiosos".
No comunicado, a pasta ainda "lamenta a decisão do deputado de deixar o país", mas nega que tenha havido omissão do Estado às acusações de Jean Wyllys, como o próprio deputado afirmou em carta escrita ao partido.
Crimes de ódio na internet
O brasiliense Marcelo Valle Silveira Melo é investigado pela Polícia Federal há mais de 10 anos por crimes de ódio. Em 2005, ele foi denunciado por fazer ataques a negros na rede social Orkut. Por esse caso, foi o primeiro condenado por racismo da Justiça Brasileira, em 2009.
Valle, que chegou a ser estudante de Letras-Japonês na UnB (Universidade de Brasília), mas abandonou o curso, recorreu da sentença e não foi preso. Mais tarde, em 2012, quando foi deflagrada a Operação Intolerância, ele foi à cadeia por incitar o ódio a minorias e planejar, conforme a Polícia Federal, um ataque a estudantes da UnB. Ficou preso por um ano e ganhou o direito de responder em liberdade, voltando a fazer ataques pela internet.
Melo foi condenado em 2013 por veiculação de “material de conteúdo racista (com incitação à violência contra negros, homossexuais e mulheres) e contendo apologia aos crimes de estupro, homicídio e abuso sexual contra crianças e adolescentes”, segundo anotou a Justiça à época de sua última prisão no ano passado.
Fonte: Congresso em Foco
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