
O ministro Alexandre de Moraes é relator do inquérito no STF Foto: Jorge William/Agência O Globo/29-11-2018
Não foram divulgados mais detalhes sobre as diligências, já que o inquérito é mantido sob sigilo. A investigação contou com o apoio de agentes da Delegacia de Crimes Virtuais de São Paulo, criada na época em que Moraes era secretário de Segurança Pública no estado.
Na última terça-feira, o ministro do STF afirmou que as postagens na Internet incentivam a ação de “pessoas perturbadas”, que acabam cometendo crimes.
O inquérito foi aberto na semana passada pelo presidente do tribunal, Dias Toffoli, “de ofício” — ou seja, sem um pedido do Ministério Público, como é praxe. O fato suscitou críticas de procuradores. Segundo Toffoli, há previsão no Regimento do STF para a instauração de inquérito dessa forma.
Para conduzir a investigação, Moraes pediu ajuda aos setores de inteligência da Polícia Militar e da Polícia Civil de São Paulo. Um delegado da Polícia Federal também está no caso.
O ministro do STF designou dois delegados para conduzir o inquérito aberto para apurar ataques aos ministros da Corte. Foram escolhidos o delegado da Polícia Federal Alberto Ferreira Neto, chefe da delegacia especializada em repressão a crimes fazendários, por indicação do diretor da Polícia Federal em exercício, Disney Rosseti, e o delegado da Divisão de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo, Maurício Martins da Silva. O nome de foi sugerido pelo delegado-geral de polícia de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. O ministro também escolheu uma servidora do Supremo para auxiliar nos trabalhos.
Quebras de sigilo
Moraes explicou que, se ao longo do inquérito aparecerem suspeitas contra pessoas sem direito ao foro especial, a investigação será transferida para a primeira instância do Judiciário.
De acordo com o ministro, o inquérito é presidido por ele. Portanto, diligências necessárias, como quebras de sigilo ou buscas e apreensões, serão determinadas por ele mesmo, sem a participação do Ministério Público, como normalmente ocorre em inquéritos judiciais.
Um dos alvos das buscas e apreensões promovidas ontem em Alagoas, o advogado Adriano Laurentino de Argolo afirmou não ser o autor de algumas das mensagens que lhe são atribuídas, e que teve contas em redes sociais clonadas.
A Polícia Federal recolheu tablets e celulares na casa do advogado.
— Algumas postagens que me mostraram, não foi minha pessoa que escreveu. As contas foram clonadas — afirmou Argolo ao site G1.
Já em São Paulo, a Secretaria de Segurança de Indaiatuba informou que tomou conhecimento que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão de equipamento particular na residência de um funcionário da Guarda Civil. A corporação abriu um procedimento administrativo para acompanhar o caso e colocou-se à disposição das autoridades.
Fonte: O Globo
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