sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Lula comemora acordo entre Mercosul e UE: "vitória do diálogo"

foto: Ricardo Stuckert/PR


 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, validado nesta sexta-feira (9) após aprovação expressiva dos países que integram o bloco europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comunicou o resultado no início da tarde.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que a decisão representa um triunfo da diplomacia e da cooperação entre nações. Para ele, o entendimento alcançado reforça a importância da negociação e da integração entre diferentes regiões do mundo.

O presidente brasileiro ressaltou que o tratado traz vantagens para ambos os blocos e envia uma mensagem positiva ao comércio global. Lula esteve diretamente envolvido nas articulações para destravar o acordo e tentou concluir o processo no fim do ano passado, período em que o Brasil ocupava a presidência do Mercosul. Segundo ele, a conclusão do tratado sempre foi tratada como prioridade.

Lula também classificou o momento como marcante para as relações internacionais e lembrou que as tratativas se estenderam por cerca de 25 anos até a aprovação final. De acordo com o presidente, o pacto reúne dois grandes mercados que, juntos, somam aproximadamente 718 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto combinado estimado em US$ 22,4 trilhões, formando um dos maiores acordos de livre comércio do planeta.

O presidente destacou ainda que o avanço do acordo reforça o multilateralismo, modelo de cooperação entre vários países para buscar objetivos comuns, em contraste com políticas unilaterais ou negociações restritas a apenas duas nações.

Próximos passos

Com a decisão europeia confirmada, Ursula von der Leyen deve viajar ao Paraguai nos próximos dias para formalizar o entendimento com os países do Mercosul, atualmente presidido pelo Paraguai, que assumiu a coordenação rotativa do bloco em dezembro de 2025.

Nos países sul-americanos, o texto ainda precisará passar pelos respectivos parlamentos. No entanto, a entrada em vigor poderá ocorrer de forma individual, sem necessidade de aguardar a ratificação simultânea dos quatro membros do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Repercussão no Brasil

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também se manifestaram favoravelmente à aprovação do acordo. Em comunicado conjunto, os dois órgãos afirmaram que se trata do maior tratado comercial já negociado pelo Mercosul e de um dos mais relevantes firmados pela União Europeia com parceiros internacionais.

Ministro anuncia renovações automáticas de CNH para bons motoristas

foto: Marcello Casal JrAgência Brasil


O Ministério dos Transportes informou, nesta sexta-feira (9), a liberação do primeiro grupo de carteiras nacionais de habilitação (CNH) renovadas de forma automática para motoristas que não registraram infrações nos últimos 12 meses.

A iniciativa faz parte de uma medida provisória publicada em 10 de dezembro de 2025 e tem como objetivo premiar condutores com bom histórico no trânsito. A data do anúncio foi escolhida porque os motoristas têm até 30 dias após o vencimento da CNH para solicitar a renovação.

Segundo a pasta, a nova regra permite que condutores considerados responsáveis não precisem realizar exames presenciais, comparecer aos Detrans nem pagar taxas extras para renovar o documento. Todo o procedimento ocorre de forma automática e digital, por meio do sistema da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), com atualização disponível diretamente no aplicativo da CNH Digital.

Durante a divulgação do primeiro lote de renovações automáticas, o ministro Renan Filho explicou que os beneficiados receberão uma mensagem no celular, parabenizando pelo histórico positivo no trânsito e concedendo um selo de bom condutor.

Ele esclareceu que a gratuidade se aplica à versão digital da carteira. Caso o motorista queira receber o documento físico, poderá solicitar ao Detran, mediante pagamento da taxa correspondente ao serviço.

Renan Filho também destacou que, no passado, mudanças na legislação acabaram favorecendo motoristas infratores, ao permitir maior acúmulo de pontos. Agora, segundo ele, a lógica foi invertida.

“Hoje o Estado brasileiro está dizendo ao cidadão: seja um bom condutor para não pagar taxa, não fazer novos exames, não perder um dia de trabalho e não precisar enfrentar filas e burocracia para renovar um documento”, afirmou.

A inscrição no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) pode ser feita tanto pelo aplicativo da CNH quanto pelo Portal de Serviços da Senatran.

O benefício não se aplica a motoristas com 70 anos ou mais. Já os condutores a partir de 50 anos poderão receber a renovação automática apenas uma vez.

De acordo com o ministério, também não terão direito à renovação automática aqueles cuja validade da CNH tenha sido reduzida por orientação médica, em casos de doenças progressivas ou condições de saúde que exijam acompanhamento periódico.

Papa critica "zelo pela guerra" em discurso forte no Vaticano

foto: Vatican Media – Todos os direitos reservados


 Em pronunciamento feito nesta sexta-feira (9) sobre temas internacionais, o papa Leão XIV criticou duramente o uso de ações militares como instrumento para alcançar metas políticas e diplomáticas. Em tom incomumente firme, ele também pediu proteção aos direitos fundamentais da população da Venezuela.

Primeiro pontífice de origem norte-americana, Leão XIV afirmou que o enfraquecimento das instituições multilaterais diante de guerras e crises globais é motivo de grande apreensão. Segundo ele, o diálogo entre nações está sendo substituído por estratégias baseadas na imposição e na força.

O papa declarou que práticas diplomáticas voltadas à construção de acordos estão perdendo espaço para iniciativas sustentadas por poder militar, acrescentando que conflitos armados voltaram a ser tratados como soluções aceitáveis. Ele assumiu o cargo em maio do ano passado.

Apelo em favor dos venezuelanos

Ao mencionar a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, ocorrida no último fim de semana por determinação do presidente Donald Trump, Leão XIV defendeu que a comunidade internacional respeite as decisões do povo da Venezuela.

O pontífice ressaltou que os países devem garantir os direitos civis e humanos da população venezuelana e evitar interferências que comprometam a soberania e a estabilidade social.

As declarações fizeram parte do discurso anual do papa aos representantes diplomáticos credenciados junto ao Vaticano, frequentemente considerado um panorama da visão da Santa Sé sobre o cenário mundial. Foi a primeira vez que Leão XIV realizou esse pronunciamento, após assumir o papado em sucessão a Francisco. Estiveram presentes, entre outros, os embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela.

Antes de se tornar papa, Leão XIV, então cardeal Robert Prevost, atuou por muitos anos como missionário no Peru. Embora já tenha criticado políticas do atual governo norte-americano em outras ocasiões, especialmente na área migratória, ele não citou diretamente Trump neste discurso.

Nos primeiros meses de pontificado, Leão XIV vinha adotando uma postura mais reservada e institucional do que seu antecessor, conhecido por declarações espontâneas e contundentes. Desta vez, porém, adotou um discurso mais enfático.

Críticas sociais e culturais

Ao longo de cerca de 40 minutos, o papa condenou os conflitos armados em diferentes regiões do planeta e também abordou temas sensíveis como aborto, eutanásia e práticas de gestação por substituição.

Ele alertou ainda para o que considera um enfraquecimento acelerado da liberdade de expressão em países ocidentais, afirmando que novas formas de linguagem, sob o pretexto de inclusão, acabam marginalizando quem não adere a determinadas visões ideológicas.

Por fim, Leão XIV também denunciou o que classificou como discriminação velada contra cristãos em partes da Europa e das Américas, destacando que a intolerância religiosa pode se manifestar mesmo em sociedades que se dizem democráticas e pluralistas.

Rússia usa míssil hipersônico contra Ucrânia em ataque massivo

 foto: Reuters/Direitos Reservados


Mesmo enquanto ocorriam tratativas diplomáticas em busca de um cessar-fogo, a Rússia realizou uma ofensiva de grande escala contra a Ucrânia entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada de sexta (9), utilizando um míssil hipersônico de alcance intermediário do tipo Oreshnik, além de uma ampla onda de drones.

Foi a segunda vez que Moscou empregou esse tipo de armamento no conflito. O Oreshnik é capaz de atingir velocidades extremamente elevadas, superiores a várias vezes a do som, e pode ser equipado inclusive com cargas nucleares, sendo considerado um dos sistemas mais sofisticados do arsenal russo.

De acordo com autoridades militares da Rússia, o disparo teria sido uma retaliação a uma suposta tentativa, ocorrida no mês anterior, de atingir uma das propriedades ligadas ao presidente Vladimir Putin por meio de drones. O governo ucraniano nega qualquer ação desse tipo contra a residência do líder russo.

O primeiro uso desse míssil havia ocorrido no final de 2024. Nesta nova ofensiva, segundo Moscou, os ataques miraram estruturas consideradas estratégicas, com o emprego combinado de drones, mísseis lançados de terra e do mar, todos guiados por sistemas de alta precisão e com grande alcance.

Em comunicado, o governo russo afirmou que os objetivos previstos foram alcançados, citando como exemplo uma unidade industrial ligada à produção de drones e instalações do setor energético.

Pelo lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky confirmou que o país foi atingido pelo míssil Oreshnik, além de dezenas de outros projéteis, incluindo mísseis de cruzeiro e balísticos. Ele também relatou impactos em áreas residenciais.

Segundo as autoridades locais, aproximadamente 240 drones teriam sido detectados durante a ofensiva. Até o momento, foram confirmadas ao menos quatro mortes em Kiev e dezenas de pessoas ficaram feridas.

Zelensky afirmou que é necessária uma resposta firme da comunidade internacional, especialmente de países cuja posição tem peso nas decisões de Moscou. Para ele, a Rússia precisa ser pressionada a priorizar negociações e a enfrentar consequências sempre que optar por ampliar a violência e a destruição de estruturas civis.

Trump diz que EUA atacarão cartéis de droga por terra

 

Imagem gerada por IA — ChatGPT (OpenAI)


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país pretende realizar operações em terra contra organizações de narcotráfico, após ataques recentes a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico. Ele não informou em quais territórios essas ações devem ocorrer.

“Vamos iniciar ações terrestres contra os cartéis. Eles dominam o México. É muito triste ver o que aconteceu com esse país”, afirmou Trump em entrevista à emissora Fox News, na quinta-feira (8).

No domingo anterior, o presidente já havia pressionado o governo mexicano a retomar o controle do território nacional, após meses de tensões diplomáticas envolvendo o combate ao tráfico de drogas e questões comerciais entre os dois países.

Trump disse ainda que teria convencido a presidente do México, Claudia Sheinbaum, a autorizar o envio de tropas norte-americanas para enfrentar grupos criminosos em solo mexicano — proposta que, segundo ele, já havia sido recusada anteriormente pela governante.

No sábado (3), militares dos Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, acusados pela Justiça norte-americana de envolvimento com narcotráfico e envio de grandes quantidades de cocaína ao exterior.

Após a ação, Sheinbaum reagiu dizendo que o continente americano pertence aos povos de cada país e não deve ser controlado por potências estrangeiras.

Operações marítimas

Desde meados do ano passado, os Estados Unidos ampliaram a presença militar em áreas do Caribe e realizaram ataques contra embarcações vindas da Venezuela, alegando ações de combate ao tráfico de drogas.

A legalidade dessas operações tem sido questionada por especialistas, organizações da sociedade civil e representantes das Nações Unidas. Até o momento, o governo norte-americano não apresentou provas públicas de que os navios atingidos transportavam entorpecentes.

No fim de dezembro, Trump declarou que forças dos EUA haviam destruído uma área usada como ponto de desembarque por barcos supostamente ligados ao narcotráfico na costa venezuelana.

Senado dos EUA aprova resolução para barrar Trump contra Venezuela

Imagem: Jonah Elkowitz / Shutterstock.com


 O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (8) uma resolução que restringe o uso de ações militares contra a Venezuela sem autorização direta do Congresso.

O texto determina que o presidente deve suspender qualquer operação das Forças Armadas norte-americanas em território venezuelano ou contra o país, salvo se houver declaração formal de guerra ou permissão legislativa específica para esse tipo de ação.

A proposta foi apresentada pelo senador democrata Tim Kaine e passou por margem apertada: 52 votos favoráveis e 47 contrários, com apoio de cinco parlamentares republicanos, partido do presidente Donald Trump. Um senador republicano não participou da votação.

Apesar da aprovação, a medida ainda precisa passar por nova votação no Senado, seguir para análise da Câmara dos Representantes — onde os republicanos são maioria — e, caso avance, ainda poderá ser vetada pelo presidente para só então entrar em vigor.

Ao defender a resolução, Kaine afirmou que concorda com a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas argumentou que qualquer ampliação da ação militar deve ter aval do Congresso. Segundo ele, as declarações de Trump sobre controlar a Venezuela por um longo período indicam que os planos vão além da remoção do líder do país, o que exigiria posicionamento formal do Legislativo.

Parlamentares contrários à operação afirmam que a invasão viola a Constituição dos EUA, que exige autorização do Congresso para o início de guerras ou ações militares prolongadas.

A senadora republicana Susan Collins também apoiou a resolução, dizendo que, embora concorde com a prisão de Maduro, considera fundamental que o Parlamento mantenha o poder de autorizar ou limitar futuras operações militares. Em nota, ela afirmou que não defende o envio adicional de tropas nem envolvimento prolongado sem aprovação expressa do Congresso.

Após a operação na Venezuela, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que a ação não caracterizaria uma guerra, mas apenas a detenção de duas pessoas. Na operação, militares norte-americanos capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Reação de Trump

Em publicação nas redes sociais, o presidente criticou duramente os republicanos que votaram com os democratas, afirmando que eles estariam enfraquecendo a capacidade do país de se defender. Trump declarou que esses senadores não deveriam ser reeleitos.

Ele também afirmou que a resolução compromete a segurança nacional e interfere na autoridade presidencial como comandante das Forças Armadas. Além disso, voltou a afirmar que a Lei dos Poderes de Guerra é inconstitucional e contraria o Artigo II da Constituição, posição que, segundo ele, já teria sido defendida por presidentes anteriores e seus departamentos jurídicos.

Assembleia Nacional da Venezuela anuncia libertação de presos

foto: Reuters/Leonardo Fernandez Viloria



 O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou nesta quinta-feira (8) que o governo decidiu libertar um grupo de venezuelanos e estrangeiros que estavam detidos. A quantidade de pessoas beneficiadas pela medida não foi divulgada.

Segundo Rodríguez, a decisão foi tomada pelo governo bolivariano em conjunto com as instituições do Estado, e as liberações já começaram a ser executadas. Ele afirmou que a iniciativa representa um gesto voltado à reconciliação e à busca por um clima de paz no país. O dirigente, que é irmão da presidenta interina Delcy Rodríguez, destacou que a ação tem caráter humanitário e político.

De acordo com ele, a medida é unilateral e faz parte de uma estratégia para reforçar a convivência interna e fortalecer a união nacional diante das recentes pressões externas enfrentadas pela Venezuela. Rodríguez acrescentou que o governo mantém diálogo apenas com instituições e partidos que reconhecem a Constituição, e não com grupos que rejeitam o processo político.

Na quarta-feira (7), a presidenta interina Delcy Rodríguez afirmou, durante reunião ministerial, que uma das prioridades do governo é garantir o retorno do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, capturados por forças dos Estados Unidos no sábado (3).

Ela também ressaltou a necessidade de preservar a estabilidade do território e manter o funcionamento das instituições democráticas frente à agressão estrangeira. Além disso, destacou que a união das forças políticas alinhadas ao projeto bolivariano é essencial para a continuidade do modelo iniciado pelo ex-presidente Hugo Chávez.

Brasil anuncia doação de 100 toneladas de medicamentos à Venezuela

foto: Rafael Nascimento/MS


O governo do Brasil informou, por meio do Ministério da Saúde, nesta quinta-feira (8), que enviará 100 toneladas de medicamentos e suprimentos hospitalares para a Venezuela. A iniciativa tem como objetivo auxiliar a população venezuelana após a recente ofensiva militar dos Estados Unidos, ocorrida no sábado (3), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores.

Durante a ação em Caracas, o principal centro de distribuição de medicamentos do país foi destruído. Na primeira remessa, o Brasil enviará 40 toneladas de medicamentos voltados, principalmente, para cerca de 16 mil pacientes que dependem de tratamento de hemodiálise e que ficaram sem atendimento adequado.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a doação não comprometerá o atendimento dos aproximadamente 170 mil pacientes em diálise no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, o país possui estoques suficientes para manter o atendimento interno e, ao mesmo tempo, prestar ajuda humanitária ao país vizinho. Padilha também lembrou que, durante a pandemia de covid-19, a Venezuela forneceu ao Brasil 130 mil metros cúbicos de oxigênio em um momento de crise no abastecimento.

Em mensagem encaminhada à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez, Padilha reiterou o compromisso do governo brasileiro em colaborar para garantir a continuidade dos serviços de saúde, sobretudo para os pacientes renais afetados pela destruição da central de distribuição.

Os materiais enviados foram obtidos por meio de doações feitas por hospitais universitários e instituições filantrópicas de diversas regiões do país. O carregamento inclui medicamentos de uso contínuo, filtros, linhas arteriais e venosas, cateteres e soluções utilizadas em procedimentos de hemodiálise.

As 100 toneladas de donativos ficarão estocadas no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos do Ministério da Saúde, em Guarulhos (SP), e serão encaminhadas à Venezuela de forma gradual, conforme o planejamento logístico.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Gabriela Aguiar tocando a Prefeitura


A vice-prefeita Gabriela Aguiar assumiu a Prefeitura no dia 1º de janeiro durante a viagem do prefeito Evandro Leitão em busca de recursos. A gestão segue tranquila. Ordenou pagamento de salários, vistoriou obras, despachou no gabinete com a equipe responsável pelo pré-carnaval. 

Afinada com Evandro, Gabriela é a primeira vice a assumir a Prefeitura em anos. Ela seguirá no comando até 12 de janeiro.


*Com informações Roberto Moreira.

Lula veta PL da Dosimetria

foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu vetar totalmente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 2.162/2023, conhecido como PL da Dosimetria, que havia sido aprovado pelo Congresso em dezembro. A proposta previa mudanças no cálculo das penas, o que poderia resultar na redução das condenações aplicadas a envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado.

O veto foi anunciado durante uma cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques realizados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, insatisfeitos com o resultado das eleições, invadiram as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em discurso, Lula afirmou que todos os réus tiveram pleno direito à defesa e foram julgados de forma transparente e imparcial, com base em provas consistentes. Segundo ele, as condenações não se basearam em suposições, ilegalidades ou apresentações sem fundamento.

O presidente também elogiou a atuação do STF, destacando que a Corte seguiu rigorosamente a lei, resistiu a pressões e ameaças, não agiu por vingança e saiu fortalecida do processo. Para Lula, a postura do Judiciário ficará registrada na história como exemplo de firmeza institucional.

Ao final da fala, Lula citou o filósofo e poeta George Santayana para reforçar que sociedades que ignoram o passado correm o risco de repeti-lo. Ele afirmou que o país não aceita nenhum tipo de ditadura e que o objetivo é preservar uma democracia que nasce da vontade popular e é exercida em nome do povo.

Com o veto presidencial, o projeto retorna ao Congresso Nacional, que ainda pode analisar a decisão.

O que previa o projeto

O PL da Dosimetria estabelecia que, quando os crimes de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado fossem praticados no mesmo contexto, deveria ser aplicada apenas a pena mais grave, e não a soma das duas punições. Além disso, o texto alterava os limites mínimo e máximo das penas e modificava as regras gerais para o cálculo das condenações.

A proposta também reduzia o tempo necessário para progressão do regime fechado para o semiaberto ou aberto.

Essas mudanças poderiam beneficiar pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes do alto escalão militar e do governo, como Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e Augusto Heleno.

Especialistas apontaram ainda que as novas regras não se limitariam a crimes contra a democracia, podendo também favorecer condenados por crimes comuns ao encurtar o tempo de progressão de pena.

Ceará assume liderança nacional no crescimento das exportações em 2025

 

Tatiana Fortes - Foto


O Ceará fechou 2025 liderando o ranking nacional de crescimento nas exportações em comparação com o ano anterior. O Estado registrou aumento de 56% nas vendas ao exterior, o maior percentual entre todas as unidades da federação, além de alcançar a segunda maior expansão de sua série histórica. As informações são do sistema Comex Stat, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com avaliação da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).

Em valores, as exportações cearenses passaram de US$ 1,5 bilhão em 2024 para US$ 2,3 bilhões em 2025. O desempenho fica atrás apenas do recorde obtido em 2017, quando o crescimento chegou a 62%. Na sequência do ranking nacional aparecem Tocantins, com alta de 22%, e Pernambuco, com 19%.

O governador Elmano de Freitas atribuiu o resultado à estratégia adotada para ampliar a presença do Ceará no comércio internacional. Segundo ele, o governo tem mantido diálogo constante com o setor produtivo e criado condições favoráveis para que empresas instaladas no Estado ampliem suas vendas externas. O governador também destacou que a tendência é de novos avanços com a implantação do Polo Automotivo e a expansão das energias renováveis.

Setores que puxaram o crescimento

A siderurgia foi o principal destaque da pauta exportadora, alcançando US$ 1,18 bilhão em 2025, mais que o dobro do registrado no ano anterior. O setor de calçados manteve participação relevante, enquanto a fruticultura continuou em ritmo de expansão, impulsionada pela competitividade do agronegócio local e pela abertura de novos mercados. Os segmentos de óleos e gorduras vegetais também cresceram, refletindo maior agregação de valor na agroindústria cearense. Já os minerais não metálicos apresentaram o maior avanço proporcional entre os principais grupos, mesmo partindo de uma base menor, o que reforça o processo de diversificação das exportações estaduais.

O presidente da Adece, Danilo Serpa, destacou as ações adotadas pelo Governo do Ceará para reduzir possíveis impactos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em 2025. De acordo com ele, a rapidez nas medidas e o diálogo com o setor produtivo ajudaram a minimizar prejuízos. Ele também ressaltou que os principais produtos exportados contam com incentivos fiscais concedidos por meio do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI).

Danilo acrescentou ainda que a política de atração de investimentos, apoiada pelo FDI, tem priorizado indústrias com maior valor agregado e potencial exportador. Como exemplo, citou a consolidação do polo siderúrgico, atualmente o principal item da pauta externa do Estado, e afirmou que, nos próximos anos, o Polo Automotivo deverá ampliar ainda mais o impacto positivo sobre as exportações.

Para a secretária das Relações Internacionais do Ceará, Roseane Medeiros, o desempenho reflete uma combinação de planejamento, abertura de mercados e credibilidade internacional. Segundo ela, o resultado fortalece a imagem do Ceará como parceiro competitivo e preparado para integrar cadeias globais de valor, além de atrair investimentos e promover desenvolvimento sustentável. A secretária afirmou que o Estado continuará atuando para ampliar destinos, diversificar produtos e consolidar sua presença no comércio internacional.

Após ameaças e acusações, Trump conversa com presidente colombiano

 foto: Gustavo Petro


Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone na noite de quarta-feira (8). Esse foi o primeiro contato direto entre os dois desde que Trump passou a fazer críticas públicas e ameaças ao governo colombiano.

Após a ligação, Petro publicou uma foto nas redes sociais mostrando o momento da conversa e comentou alguns pontos tratados. Segundo ele, os dois discutiram diferenças de visão sobre a forma como os Estados Unidos se relacionam com os países da América Latina.

O presidente colombiano afirmou que apresentou a Trump a possibilidade de a região se tornar uma grande fornecedora de energia limpa para o mercado norte-americano. Para Petro, insistir na exploração de petróleo na América Latina pode gerar conflitos e enfraquecer o direito internacional, além de aumentar riscos globais. Ele defendeu que investimentos em energias renováveis, estimados em cerca de US$ 500 bilhões, poderiam impulsionar o desenvolvimento regional e fortalecer a cooperação internacional.

Depois da ligação, Petro participou de um ato público que havia convocado anteriormente, com o objetivo de reafirmar a posição da Colômbia diante das recentes declarações feitas por Trump. No discurso, contou que havia falado com o presidente americano pouco antes e leu uma mensagem divulgada por ele, na qual Trump disse ter sido uma honra conversar com Petro e que o contato serviu para tratar do tema das drogas e de outros impasses entre os dois países.

Petro afirmou que agradeceu a conversa, disse esperar um encontro presencial em breve e informou que já existem tratativas em andamento para que a reunião aconteça.

Tensões recentes

As declarações mais duras de Trump ocorreram após a operação militar realizada na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro. No domingo (4), o presidente dos EUA acusou o governo colombiano de permitir a produção de cocaína e fez comentários ofensivos sobre Petro, além de sugerir que uma ação militar contra a Colômbia poderia ser considerada.

Em resposta, Petro reagiu publicamente, afirmando que Trump demonstra visão distorcida sobre a região e acusando o presidente americano de tratar líderes latino-americanos como criminosos por não aceitarem submeter seus recursos naturais a interesses externos.

Médico de Bolsonaro confirma traumatismo craniano leve

 foto: Bruno Peres/Agência Brasil


O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu uma queda e apresentou um quadro de traumatismo craniano considerado leve, segundo informou nesta quarta-feira (7) um dos médicos responsáveis por seu acompanhamento, Brasil Caiado. Após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi levado novamente ao Hospital DF Star, em Brasília, para realização de exames, deixando temporariamente a cela da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.

De acordo com o médico, o episódio ocorreu durante a madrugada de terça-feira. Inicialmente, a equipe acreditou que a queda tivesse acontecido da cama, mas, após conversar com o próprio paciente e reconstruir os fatos, os profissionais passaram a considerar que Bolsonaro se levantou, tentou caminhar e acabou caindo dentro do quarto.

Após passar por avaliação médica e exames de imagem, Bolsonaro retornou ainda no mesmo dia para a Superintendência da Polícia Federal, localizada a poucos quilômetros do hospital particular.

Em boletim oficial, o Hospital DF Star confirmou que o traumatismo foi leve e que não houve necessidade de procedimentos médicos mais complexos. Os exames indicaram apenas alterações superficiais nos tecidos da região frontal e do lado direito da cabeça, compatíveis com o impacto da queda, sem indicação de cirurgia ou outro tratamento invasivo. A recomendação é de acompanhamento clínico conforme orientação da equipe médica.

Segundo Brasil Caiado, existe a possibilidade de que a queda esteja relacionada a episódios de desorientação causados pela combinação de medicamentos utilizados por Bolsonaro, especialmente os prescritos para o tratamento de crises de soluço, que ele vem apresentando com frequência. O médico explicou que a interação entre diferentes remédios pode aumentar o risco de tonturas e quedas, principalmente se os episódios voltarem a ocorrer.

O ex-presidente havia recebido alta hospitalar há menos de uma semana, após permanecer internado por oito dias no mesmo hospital. Durante essa internação, ele passou por uma cirurgia para correção de hérnia inguinal em ambos os lados, além de outros procedimentos voltados ao controle das crises de soluço persistentes.

Trump diz que supervisão da Venezuela pelos EUA pode durar anos

Photo/Andrew Harnik, File



 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país poderá permanecer por um longo período supervisionando a Venezuela e administrando as receitas do petróleo venezuelano. A declaração foi feita em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira (8), na qual ele indicou que esse controle pode durar bem mais do que alguns meses.

Questionado sobre o tempo de permanência dos EUA no país sul-americano, Trump evitou estipular um prazo e afirmou que se trata de algo de longo alcance. Segundo ele, o objetivo seria reconstruir a Venezuela e utilizar sua produção de petróleo, ao mesmo tempo em que parte dos recursos retornaria ao país, que enfrenta forte crise econômica.

Trump também afirmou que o relacionamento com o governo interino venezuelano é positivo. Atualmente, quem ocupa o cargo de presidente interina é Delcy Rodríguez, aliada histórica de Nicolás Maduro, que foi retirado do poder após a operação militar norte-americana realizada no início de janeiro.

De acordo com Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém contato frequente com Rodríguez e com integrantes do governo interino. O presidente, no entanto, não confirmou se falou diretamente com ela.

Durante a entrevista, Trump evitou explicar por que os Estados Unidos não entregaram o poder à oposição venezuelana, que havia sido reconhecida anteriormente por Washington como vencedora das eleições de 2024. Ele também revelou um plano para refinar e comercializar milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam bloqueados por sanções, afirmando que o atual governo do país tem colaborado com as exigências norte-americanas.

Relação com a Colômbia

Na mesma entrevista, Trump indicou que diminuiu o tom de confronto com a Colômbia. Dias antes, ele havia feito declarações duras contra o presidente colombiano, Gustavo Petro, chegando a sugerir a possibilidade de uma ação militar. Agora, Trump afirmou que convidou Petro para visitar Washington.

O próprio Trump relatou que conversou por telefone com o presidente colombiano e classificou a ligação como positiva, dizendo que houve esclarecimentos sobre temas relacionados ao combate às drogas e outros pontos de tensão entre os dois países. Petro também descreveu a conversa como cordial.

Após essa ligação, o clima de confronto foi substituído por sinais de aproximação diplomática, afastando, ao menos por enquanto, a possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos contra a Colômbia.

Aplicação da vacina da dengue do Butantan começará a partir do dia 17

foto: Instituto Butantan/Divulgação


 Na estratégia de enfrentamento à dengue, o SUS vai iniciar a aplicação da vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan em três municípios: Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, a partir do dia 17 de janeiro, além de Botucatu, em São Paulo, no dia 18.

A proposta é vacinar pelo menos metade da população dessas cidades para acompanhar os efeitos da imunização em larga escala. O público contemplado nessa fase inclui pessoas entre 15 e 59 anos de idade.

De acordo com o Ministério da Saúde, parte do primeiro lote, com cerca de 1,3 milhão de doses produzidas pelo Butantan, será destinada a essa estratégia inicial.

Expansão gradual

Além da população geral, profissionais da atenção primária que atuam nas unidades básicas de saúde também receberão as doses iniciais. Com o aumento da produção, viabilizado por meio da transferência de tecnologia para a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação deverá ser ampliada progressivamente para outras regiões do país.

O plano prevê começar pelos adultos mais velhos dentro da faixa etária prevista e, conforme houver disponibilidade, avançar para os grupos mais jovens até alcançar pessoas a partir de 15 anos.

Atualmente, o SUS já oferece outra vacina contra a dengue, aplicada em duas doses, destinada a adolescentes entre 10 e 14 anos.

Resultados dos estudos

Pesquisas recentes indicam que a vacina do Butantan pode reduzir a quantidade de vírus no organismo de pessoas que, mesmo vacinadas, venham a contrair a doença, o que tende a diminuir a gravidade dos quadros clínicos. Os estudos também apontam proteção contra diferentes tipos do vírus em circulação no Brasil.

A análise envolveu amostras de 365 voluntários que tiveram dengue com sintomas entre 2016 e 2021, em 14 estados. Os dados de pessoas vacinadas foram comparados aos de participantes que não receberam o imunizante.

Embora alguns vacinados tenham sido infectados, a carga viral observada nesse grupo foi significativamente menor do que entre os não imunizados, indicando resposta imune mais eficiente e menor multiplicação do vírus no organismo.

A vacina foi autorizada pela Anvisa após avaliação de cinco anos de acompanhamento de cerca de 16 mil participantes dos testes clínicos. Para a faixa etária de 12 a 59 anos, indicada pela agência, o imunizante apresentou eficácia geral de 74,7% e proteção de 91,6% contra formas graves da doença e casos com sinais de alerta.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

EUA apreendem dois navios que transportariam petróleo da Venezuela

 

Latin America News Agency/via REUTERS


As autoridades dos Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (7), a apreensão de dois navios-petroleiros em alto-mar, em operações realizadas em partes do Atlântico Norte e no Mar do Caribe. As ações foram conduzidas com base em mandados emitidos por um tribunal federal norte-americano, que apontou violação de sanções econômicas impostas pelos EUA. 

Segundo a Secretaria de Segurança Interna dos EUA, as embarcações — que estariam com destino à Venezuela ou tinham passado recentemente pelo país — foram interceptadas em águas internacionais pela Guarda‐Costeira americana 

Uma das embarcações, identificada como Marinera, navegava sob bandeira russa no momento da abordagem. Inicialmente conhecida como Bella 1, ela vinha sendo acompanhada pelas forças dos EUA havia semanas antes de ser localizada no Atlântico Norte. Autoridades afirmaram que o navio tentou mudar de nome e de bandeira em tentativas de evitar a captura. 

O segundo navio-tanque, conhecido como M/T Sophia, foi detido na região do Caribe. O Comando Sul dos Estados Unidos informou que a embarcação estava operando em alto-mar em atividades consideradas irregulares e que agora será escoltada pela Guarda-Costeira até território norte-americano. 

A ofensiva faz parte de uma política americana de bloqueio a embarcações sancionadas que transportam petróleo venezuelano, uma medida anunciada pelas autoridades dos EUA para coibir o comércio de energia considerado ilegal sob a legislação norte-americana. 

Em declarações nas redes sociais, o secretário de Defesa dos EUA reiterou que a política de bloqueio a petroleiros suspeitos de violar sanções globais segue em vigor em qualquer ponto do planeta, e que apenas operações de comércio energético consideradas legais serão permitidas. 

O governo russo classificou a apreensão da embarcação Marinera como uma violação do direito marítimo internacional, citando a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que prevê liberdade de navegação em alto-mar e limita o uso da força contra navios registrados sob a jurisdição de outro país.

Governo federal vai construir primeiro hospital inteligente do SUS

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O governo federal anunciou a construção do primeiro hospital público inteligente do país, que será implantado na cidade de São Paulo. O projeto será financiado por um empréstimo de R$ 1,7 bilhão junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do Brics. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (7), durante cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da presidenta do banco, Dilma Rousseff.

De acordo com o Ministério da Saúde, a nova unidade será referência nacional em atendimento totalmente digitalizado e deverá servir de modelo para outros países do bloco. O hospital vai atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) utilizando medicina de alta precisão, com apoio de inteligência artificial e outras tecnologias avançadas. A estrutura também fará parte de uma rede integrada de serviços inteligentes, incluindo 14 unidades de terapia intensiva automatizadas distribuídas em diferentes estados.

Além da construção do hospital em São Paulo, o projeto prevê a modernização de hospitais de excelência vinculados ao SUS em várias regiões do país.

O hospital será ligado à Universidade de São Paulo (USP) e contará com um pronto-socorro com 250 leitos, capacidade para atender cerca de 200 mil pessoas por ano, além de uma UTI com 350 leitos conectados ao sistema de UTIs inteligentes. A unidade também terá 25 salas cirúrgicas. A estimativa é de que as obras sejam concluídas em um prazo de três a quatro anos.

Segundo o ministério, a adoção de sistemas digitais integrados pode reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em casos de urgência e emergência, ao otimizar fluxos e processos hospitalares.

Também foram anunciados investimentos para modernização de hospitais do SUS vinculados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do novo hospital oncológico da Baixada Fluminense, do Hospital do Grupo Conceição, no Rio Grande do Sul, do Instituto do Cérebro, no Rio de Janeiro, além de unidades federais no estado do Rio, incluindo hospitais universitários da UFRJ e da Unirio. Para a reestruturação da rede federal fluminense, o investimento previsto é de R$ 1,2 bilhão.

Durante o evento, o presidente Lula afirmou que o novo hospital contribuirá para fortalecer a imagem do SUS, especialmente após o papel desempenhado pelo sistema público durante a pandemia de covid-19. Segundo ele, as inovações tecnológicas precisam alcançar principalmente a população mais vulnerável, que depende exclusivamente da rede pública.

O ministro da Saúde destacou que o objetivo é oferecer gratuitamente à população os mesmos recursos tecnológicos disponíveis nos principais hospitais privados do país, acrescentando que o projeto colocará o Brasil em um novo patamar, ao adotar soluções que ainda não estão presentes nem mesmo em grandes instituições particulares.

Já a presidenta do NDB, Dilma Rousseff, informou que o financiamento terá prazo de pagamento de 30 anos e ressaltou que o projeto conta com a parceria de países como China e Índia. Para ela, o investimento vai além da construção física e representa um compromisso com o desenvolvimento por meio do acesso à tecnologia na área da saúde.