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Em pronunciamento feito nesta sexta-feira (9) sobre temas internacionais, o papa Leão XIV criticou duramente o uso de ações militares como instrumento para alcançar metas políticas e diplomáticas. Em tom incomumente firme, ele também pediu proteção aos direitos fundamentais da população da Venezuela.
Primeiro pontífice de origem norte-americana, Leão XIV afirmou que o enfraquecimento das instituições multilaterais diante de guerras e crises globais é motivo de grande apreensão. Segundo ele, o diálogo entre nações está sendo substituído por estratégias baseadas na imposição e na força.
O papa declarou que práticas diplomáticas voltadas à construção de acordos estão perdendo espaço para iniciativas sustentadas por poder militar, acrescentando que conflitos armados voltaram a ser tratados como soluções aceitáveis. Ele assumiu o cargo em maio do ano passado.
Apelo em favor dos venezuelanos
Ao mencionar a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, ocorrida no último fim de semana por determinação do presidente Donald Trump, Leão XIV defendeu que a comunidade internacional respeite as decisões do povo da Venezuela.
O pontífice ressaltou que os países devem garantir os direitos civis e humanos da população venezuelana e evitar interferências que comprometam a soberania e a estabilidade social.
As declarações fizeram parte do discurso anual do papa aos representantes diplomáticos credenciados junto ao Vaticano, frequentemente considerado um panorama da visão da Santa Sé sobre o cenário mundial. Foi a primeira vez que Leão XIV realizou esse pronunciamento, após assumir o papado em sucessão a Francisco. Estiveram presentes, entre outros, os embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela.
Antes de se tornar papa, Leão XIV, então cardeal Robert Prevost, atuou por muitos anos como missionário no Peru. Embora já tenha criticado políticas do atual governo norte-americano em outras ocasiões, especialmente na área migratória, ele não citou diretamente Trump neste discurso.
Nos primeiros meses de pontificado, Leão XIV vinha adotando uma postura mais reservada e institucional do que seu antecessor, conhecido por declarações espontâneas e contundentes. Desta vez, porém, adotou um discurso mais enfático.
Críticas sociais e culturais
Ao longo de cerca de 40 minutos, o papa condenou os conflitos armados em diferentes regiões do planeta e também abordou temas sensíveis como aborto, eutanásia e práticas de gestação por substituição.
Ele alertou ainda para o que considera um enfraquecimento acelerado da liberdade de expressão em países ocidentais, afirmando que novas formas de linguagem, sob o pretexto de inclusão, acabam marginalizando quem não adere a determinadas visões ideológicas.
Por fim, Leão XIV também denunciou o que classificou como discriminação velada contra cristãos em partes da Europa e das Américas, destacando que a intolerância religiosa pode se manifestar mesmo em sociedades que se dizem democráticas e pluralistas.

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