CRISE NO ORIENTE MÉDIO PROVOCA CHOQUE ENERGÉTICO NA ÁSIA E LEVA EUA A AUTORIZAREM COMPRA DE PETRÓLEO RUSSO PELA ÍNDIA
Filipinas pedem redução no consumo; Tailândia busca novos mercados; Japão protege consumidores; autorização americana é válida por 30 dias
O choque energético provocado pela crise no Oriente Médio começa a se manifestar de forma concreta nos países asiáticos. Muito dependentes do petróleo da região e do Estreito de Ormuz, nações como Índia, Paquistão, Indonésia, Bangladesh e Filipinas já implementam medidas de restrição ao consumo de combustíveis, enquanto buscam alternativas para garantir o abastecimento interno.
MEDIDAS DE RESTRIÇÃO NA ÁSIA
Nas Filipinas, onde quase todo o petróleo é importado, o governo fez um apelo à população para reduzir o uso de ar condicionado e diminuir viagens não essenciais. Outra medida em estudo é a possibilidade de a semana de trabalho passar a ser de apenas quatro dias, como forma de economizar energia.
Na Índia, a estratégia adotada foi buscar uma isenção para compra de combustíveis da Rússia, país alvo de sanções internacionais. O Japão, por sua vez, optou por medidas de proteção aos consumidores, enquanto a Tailândia procura novos mercados para adquirir óleo e gás natural.
AUTORIZAÇÃO DOS EUA PARA PETRÓLEO RUSSO
Os Estados Unidos autorizaram nessa quinta-feira (5), por um período de 30 dias, a entrega de petróleo russo sob sanções à Índia, no momento em que o conflito no Oriente Médio afeta diretamente o abastecimento de Nova Delhi. De acordo com documento publicado pelo Departamento do Tesouro dos EUA, a autorização será válida até o dia 3 de abril de 2026.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou na rede social X que a exceção foi concedida para "permitir que o petróleo continue a abastecer o mercado mundial". Segundo ele, "essa medida temporária não trará vantagens financeiras significativas ao governo russo, uma vez que apenas autoriza transações relativas a petróleo já bloqueado no mar".
Bessent acrescentou que a venda à Índia "vai aliviar a pressão causada pela tentativa do Irã de sequestrar a energia mundial". O Departamento do Tesouro também esclareceu que a autorização não se estende ao petróleo proveniente do Irã.
CONTEXTO DAS SANÇÕES À RÚSSIA
As autoridades dos Estados Unidos, juntamente com a União Europeia e os países do G7, implementaram gradualmente, desde 2022, vários pacotes de sanções contra o setor petrolífero russo, a fim de reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra na Ucrânia.
No entanto, a Índia continuou e até aumentou as compras de petróleo bruto russo, vendido abaixo do valor de mercado, tornando-se um dos principais destinos depois da China. A autorização temporária concedida pelos EUA representa um alívio para o abastecimento indiano em meio à crise energética global, mas mantém as restrições ao petróleo iraniano, alinhadas à política americana de máxima pressão sobre Teerã.

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